
O fascínio pela possibilidade da existência extraterrestre persegue-nos desde sempre. É a questão que permanece no fundo das nossas mentes à espera de uma resposta que tarda em chegar.
Mas há quem considere que essa resposta já chegou há muito tempo, como o realizador Steven Spielberg, que dispensa apresentações e nos tem brindado com alguns dos melhores filmes de ficção científica sobre a existência alienígena. Desde o magnífico “Encontros Imediatos do Terceiro Grau” até à sua adaptação de “Guerra dos Mundos” de H. G. Wells e, agora, com quase 80 anos de idade, Spielberg decide regressar ao tema em “O Dia da Revelação”.
Nos seus filmes, está sempre presente a ideia de que os extraterrestres já chegaram ao planeta Terra, mas isso terá sido escondido pelos governos. O enredo acaba por ser muito simples na sua obra mais recente. Foi a humanidade que não esteve à altura do desafio e quebrou a magia do nosso primeiro encontro com a vida extraterrestre.
O timing do filme não deixa de ser curioso, pois chega às salas de cinema num momento em que o Governo de Trump tem libertado informação confidencial sobre avistamentos de objetos voadores não-identificados, possivelmente como manobra de distração. Inúmeras pessoas passaram a vida inteira à espera da revelação desses ficheiros na esperança de confirmar as suas esperanças e, até agora, não surgiu nada de conclusivo.
Mas Spielberg não precisa de provas. Os seus filmes são uma romantização absoluta da ideia de que eles já estiveram entre nós, ou ainda estão entre nós. As personagens de Emily Blunt e Josh O’Connor são escolhidas como mensageiros para transmitir uma mensagem do desconhecido. Se estamos preparados para a ouvir ou não, é uma pergunta que fica por responder.
Apesar disso, sinto que o filme tem uma visão um pouco datada, considerando que atualmente existem imensas produções televisivas e cinematográficas que já abordaram a questão do contacto alienígena com a Humanidade de formas muito mais complexas e desafiantes.
Ainda assim, é inegável o otimismo de Spielberg, que acaba por regressar à sua juventude, aos primeiros filmes da sua carreira. Um pouco à semelhança de Roy Neary em “Encontros Imediatos do Terceiro Grau”, que se deixa consumir pela obsessão de decifrar as suas visões. Spielberg recorda-nos, mais uma vez, o desejo humano de transcender a nossa realidade e de ter acesso a um mistério maior do que nós próprios. O enigma continua fora do nosso alcance, mas podemos ainda dar lugar ao sonho e à imaginação.