Se fosse uma paixão arrebatada, seria Tosca de Puccini. Mas falamos de um concurso e do seu poder de atração. Que cresceu, sólida e consistentemente, nas suas três edições. A escala de participação e a diversidade dos países de origem da meia centena de candidatos iniciais assim o atestam.

Mas de que falamos afinal? Do Cascais Ópera – Concurso Internacional de Canto, cuja projeção internacional segue em crescendo. Das 499 candidaturas provenientes de 59 países, foram selecionados 45 cantores que representam 25 nacionalidades. Um crescimento relevante face às 340 candidaturas recebidas na edição de 2025. Entre os países mais representados, a Coreia do Sul é o país com o maior número de inscrições (97), seguido da China (75). Na Europa, destacam-se a Alemanha (35), Espanha (27), Itália (20) e França (13). Um crescimento que a organização associa à integração do Cascais Ópera na rede OLA – Ópera Latinoamérica, que tem vindo a reforçar a ligação do concurso à América Latina e às Caraíbas.

Mas não só. A participação portuguesa também cresceu, tendo passado de 6 candidatos em 2025 para 25 nesta edição, o que coloca Portugal entre os cinco países mais representados no concurso.

O Concerto de Inauguração, a 29 de maio, marca o início da prova. Nele participam os solistas Sílvia Sequeira (soprano), Ana Rita Coelho (mezzo-soprano), John Pumphrey (tenor) e Sergei Leiferkus (barítono), acompanhados pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e pelo Coro Sinfónico Lisboa Cantat, num programa composto por excertos das óperas “Nabucco”, “Cavalleria Rusticana” e “Tosca”.

As provas abertas ao público decorrem nos dias 30 e 31 de maio, seguindo-se as semifinais a 2 de junho e o Concerto dos Semifinalistas a 4 de junho.

O júri de seleção, presidido pelo baixo-barítono Sergei Leiferkus e composto por Catarina Sereno, Ivan van Kalmthout, Jennifer Larmore e Liliana Bizineche, teve a épica tarefa de selecionar 25 finalistas entre a meia centena de candidatos à 3ª edição do Cascais Ópera, concurso que nasceu com “a ambição de ser mais do que um concurso.” Palavras da organização, que destaca o facto de este evento ser, igualmente, “um espaço de formação, partilha e descoberta. Através de masterclasses, sessões de mentoria e feedback personalizado, o concurso assume também uma missão educativa, ajudando a formar e inspirar a próxima geração de artistas líricos.”

Entre 29 de maio e 7 de junho caberá ao júri da competição, também presidido por Sergei Leiferkus, e que integra nomes de referência, como Antonio Pirolli, Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, Erik Malmquist da Ópera de Munique, Florian Köfler da Ópera de La Monnaie, de Bruxelas, ou Fredrik Andersson, o novo diretor do Serviço de Música da Fundação Gulbenkian, entre outros, avaliar o talento dos jovens em competição.

Em jogo estão 57 mil euros em prémios e 12 contratos profissionais, incluindo oportunidades com instituições e festivais, como o Festival Amazonas de Ópera, a Istanbul State Opera and Ballet, o Festival Internacional de Música de Marvão, o Festival de Música de Mafra e o Festival de Ópera de Óbidos. O concurso termina com o Concerto da Final, a 7 de junho, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde oito finalistas se apresentarão acompanhados pela Orquestra Sinfónica de Cascais, sob a direção de Antonio Pirolli.

A ambição é clara. “Afirmar o Cascais Ópera como um dos concursos de canto mais prestigiados da atualidade, reconhecido pela sua exigência artística, pela qualidade dos seus jurados e pelas reais oportunidades de carreira internacional que oferece aos seus concorrentes”, realça a organização. Portugal não pode ficar de fora do movimento de reinvenção da ópera que ganha lastro em todo o mundo.

Cascais Ópera | 29 maio a 7 junho | Os bilhetes para a Final estão à venda na Ticketline (15€ a 30€). A maioria das atividades é gratuita e aberta ao público.