Em 2013, a taxa de jovens entre 16 e 29 anos que nem estavam empregados nem tinham qualquer atividade formativa chegava a 17,6%. E no grupo dos 25 aos 29 anos atingia os 21%. Hoje, no entanto, o mercado de trabalho está nos antípodas do período da troika e desde 2011 (o início da série estatística) que este indicador não era tão baixo. Já o sabíamos em valor absoluto e agora os dados do INE mostram que também o é face ao total de jovens dessa idade: apenas 8,5%, melhor do que os 9% de 2022, o anterior mínimo em 15 anos. Em média, estiveram 136 mil pessoas nesta condição ao longo do ano passado, mas chegaram a ser mais de 400 mil em 2012 e 2013. Muitos acabaram por emigrar.
As melhorias são evidentes mesmo na comparação com a Europa. Os dados do Eurostat — que têm um ligeiro desfasamento nas idades, abrangendo também os 15 anos, e nas taxas — indicam que Portugal foi o quarto país com o valor mais baixo de “nem-nem” em 2025 (8%), apenas superado por Países Baixos (4,9%), Suécia (6,3%) e Eslovénia (7,6%), e igualado pela Chéquia.
Já na cauda da Europa estão a Roménia (19,2%) e a Bulgária (13,8%), seguidas de três países do Sul: Grécia (13,6%), Itália (13,3%) e França (12,7%). Espanha está dois degraus acima dos gauleses (11,5%), com a Lituânia pelo meio. A UE tem uma média de 11%.
Para termos uma ideia da evolução recente face aos parceiros europeus, Portugal tinha sido o oitavo em 2024 (com 8,7%) ao lado da Alemanha e, antes disso, oscilou entre a 12.ª posição (2016) e a 7.ª (2022).
As regiões “nem-nem”
A região Centro é a que tem menos jovens sem trabalhar nem estudar no país (6,6%, segundo o INE), após uma redução de 6,2 pontos percentuais (p.p.) desde 2011, quando a troika chegou a Portugal. O pico foi de 14,4% em 2012. Esta região, entretanto assolada pelas tempestades, fica bem colocada nos dados do Eurostat: 21.º lugar entre 238. Para referência, Budapeste (Hungria), Utrecht (Países Baixos) e Praga (Chéquia) lideram na Europa (entre 3,8% e 4,1%), enquanto Sud-Est (26,3%), Sud-Vest Olteniaromeno (27,9%), ambos na Roménia, e a Guiana francesa (31,9%) são as que mais “nem-nem” acumulam.
Em segundo lugar no país está o Norte (42.ª a nível europeu), com 7,6%. A queda foi de 6,4 p.p. face a 2011, mas supera os 10 pontos percentuais face ao pico de 2013 (18,3%). Depois, na casa dos 8% estão Oeste e Vale do Tejo (8,4%) e Grande Lisboa (8,6%) (60.ª e 62.ª na UE respetivamente), enquanto cinco regiões do país ainda estão acima dos 10%: Alentejo (10,4%), Península de Setúbal (10,6%), Madeira (11,4%), Algarve (11,5%) e Açores (que têm 13,1% dos jovens nesta situação, 168.º na UE).
Posto isto, está então tudo bem na transição dos jovens para o mercado de trabalho? Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Convém lembrar o elevado desemprego jovem que ainda persiste no país: em idades comparáveis, dos 15 aos 29 anos, a taxa atingiu os 13,4% em 2025, a 19.ª mais elevada na UE — ainda assim, o segundo melhor registo em 10 anos, a seguir aos 12,7% de 2019, e a melhor posição portuguesa no ranking europeu, pelo menos, desde 2010. E dos 15 aos 24 anos, ascende a 19,5%, a 20.ª maior entre os 27 Estados-membros.
E mesmo os dados sobre “nem-nem” mostram que o caso muda de figura se filtrarmos apenas os jovens desempregados (que procuram ativamente emprego) — Portugal cai para a 21.ª posição europeia, com 4,8% — ou os que querem trabalhar, procurem ou não emprego, caso em que o país fica na 19.ª posição (6,3%). O valor que Portugal tem particularmente baixo verifica-se entre os que não querem trabalhar. Apenas 1,7% deste grupo não tem emprego nem estuda. Portugal é o segundo nesse ranking, só superado pelos Países Baixos e tendo a Suécia ex aequo.