A Ordem dos Biólogos anunciou esta quinta-feira, 23, à tarde, ter enviado um documento ao ministro da Educação que recomenda uma auditoria técnica completa à plataforma de correção dos exames antes da sua reutilização e uma comunicação pública e transparente sobre as conclusões dessa avaliação.
“O exame nacional de Biologia e Geologia de 2026 registou o maior desvio-padrão dos últimos sete anos e uma distribuição das classificações diferente da observada desde 2020, apesar de a estrutura e o grau de dificuldade da prova se terem mantido substancialmente semelhantes aos dos anos anteriores”, afirma Ordem em comunicado enviado às redações.
Esta análise elaborada pelo Colégio de Educação da Ordem dos Biólogos foi enviada ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
Segundo o documento, os resultados apresentam dois agrupamentos distintos de classificações, num padrão estatístico bimodal, e uma dispersão superior à registada nos anos anteriores, considerando a Ordem que esta alteração deve ser analisada formalmente pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação.
O documento enviado a Fernando Alexandre identifica também “falhas técnicas e operacionais” reportadas por professores que participaram na classificação digital das provas. Entre as anomalias figuram problemas na interface da plataforma, funcionalidades indisponíveis, ausência de folhas de continuação e erros em itens de classificação automática. Alguns dos erros, refere o documento, apenas terão sido detetados quando os alunos consultaram as provas, já depois da divulgação das classificações.
“Esta situação poderá obrigar à correção retroativa de resultados, para salvaguardar os candidatos afetados, nomeadamente no acesso ao ensino superior”, afirma a Ordem dos Biólogos.
A Ordem dos Biólogos esclarece que não é possível estabelecer uma relação causal direta entre as falhas reportadas e o padrão estatístico dos resultados. Considera, contudo, que a coincidência dos dois fenómenos justifica uma análise aprofundada.
As provas de Biologia e Geologia foram realizadas por 34.487 alunos e a média desce para 11,4 valores, face aos 12,4 registados no ano passado.