Os turistas trazem riqueza, é certo. Gastam dinheiro na estadia, fazem compras, comem pastéis de nata. Tudo isso tem impacto positivo na economia. O problema é quando são demais, que enxameiam os centros das cidades, esgotam os transportes públicos e, pior, alguns até se mudam em definitivo. Um problema. Vejam o que se passa em Barcelona, Praga ou Veneza, em que os locais contestam o excesso de turismo que lhes dificulta a vida. Encontrar solução é que não é fácil. Não era, porque somos inventivos.
Donald Trump indicou o caminho com todos os entraves que coloca à entrada de estrangeiros nos Estados Unidos da América. Há quem esteja proibido de passar a fronteira por ter nascido no sítio errado, mas para a maioria a porta continua aberta. Entreaberta, vá lá. O que se fez foi endurecer o discurso, mostrar que não são bem-vindos e transformar o processo numa corrida de obstáculos conducente ao desânimo. Em resultado, o World Travel & Tourism Council estimava que o ano passado fosse de recuperação plena do turismo norte-americano, com um crescimento de 9%, mas, afinal, registou-se uma quebra da mesma ordem de grandeza. Pior, só com a pandemia.
A Europa, atenta, aprende e segue. Nestes dias, os aeroportos estão a registar esperas que chegam às três horas e meia nos controlos fronteiriços em períodos de pico. Aquilo que temos sentido em Lisboa e que nos preocupa, porque o turismo vale 20% da economia. E já se antecipa um verão “particularmente difícil”, em que os aeroportos serão gargalos. Diz-se que é por causa da falta de efetivos e de falhas técnicas do novo sistema, mas não, é política de porta entreaberta. Bem pensada. Com efeitos comprovados.