O Portugal Rugby Youth Festival, organizado pela Move Sports desde 2009, não é apenas mais um evento desportivo. É, hoje, uma das principais referências do desporto juvenil na Europa — e um exemplo concreto de como a iniciativa privada pode criar valor real quando existe visão, execução e consistência.

Com mais de 3.400 atletas, o festival afirma-se pela escala, pela qualidade organizativa e pelo impacto que gera. Num contexto europeu onde coexistem grandes iniciativas institucionais, o Portugal Rugby Youth Festival distingue-se por um fator decisivo: nasce fora do perímetro do Estado, mas entrega resultados que muitos projetos públicos ambicionam.

E isso deve ser reconhecido — e aproveitado, como a Câmara Municipal de Lisboa e o Turismo de Portugal já fazem, mas o país tarda em fazer.

Para o desporto europeu, eventos desta natureza são estruturantes. Não são momentos acessórios, são espaços de formação. É aqui que se captam e desenvolvem atletas, mas também competências: disciplina, liderança, espírito de equipa e respeito. O futuro da modalidade não se constrói apenas nas competições profissionais, constrói-se aqui, nestes campos da Cidade Universitária — onde começa tudo.

Mas o impacto vai muito além do desporto.

Lisboa tem sabido acolher este evento com qualidade, consistência e visão, afirmando-se como uma cidade preparada para receber iniciativas internacionais exigentes. Esse posicionamento não é trivial. Num contexto global cada vez mais competitivo, a capacidade de acolher eventos desta dimensão traduz-se em projeção externa, atração de visitantes e dinamização económica.

Hotéis, restauração, transportes e comércio beneficiam diretamente. Mas há um efeito ainda mais relevante: Lisboa reforça a sua marca enquanto cidade aberta, eficiente e preparada.

Este é um ativo que deve ser valorizado.

O que importa agora é dar o passo seguinte.

Se o Portugal Rugby Youth Festival já provou o seu valor — desportivo, económico e reputacional — então a questão deixa de ser se merece apoio, e passa a ser como esse apoio pode ser estruturado de forma mais consistente e alinhada com uma visão de médio e longo prazo.

Os patrocinadores têm aqui uma oportunidade clara. Associar-se a um evento desta natureza é investir em reputação, em ligação a públicos jovens e em propósito. Não é apenas visibilidade — é relevância. Num contexto em que as marcas são avaliadas pelo impacto que geram, o desporto juvenil é um dos territórios mais sólidos e credíveis.

A comunicação social, por sua vez, tem um papel essencial na valorização destes momentos. Dar visibilidade não é apenas cobrir um evento — é contribuir para a construção de uma narrativa positiva sobre juventude, esforço e futuro.

E ao nível das políticas públicas, há uma oportunidade que não deve ser desperdiçada: integrar eventos como o Portugal Rugby Youth Festival numa estratégia mais ampla de desenvolvimento do desporto, internacionalização e promoção territorial.

Não se trata de criar dependência. Trata-se de reconhecer valor e amplificá-lo.

O Portugal Rugby Youth Festival já é uma referência europeia. Com a organização da Move Sports já prova, todos os anos, a sua relevância.

A questão agora é simples: vamos continuar a tratá-lo como uma iniciativa isolada — ou vamos integrá-lo numa visão estratégica para o país?

Lisboa já é palco.

Falta transformar o Turismo Desportivo em estratégia.