A cotação do Brent, petróleo de referência na Europa, superou hoje os 87,5 dólares por barril, valorizando-se cerca de 4%, numa altura em que se intensificam os ataques entre os Estados Unidos e o Irão.

O barril de West Texas Intermediate (WTI), a referência nos Estados Unidos, atingia os 82,15 dólares, registando igualmente uma subida intradiária de cerca de 4%.

Em Portugal, a Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis (Anarec) estima que, caso a atual tendência do mercado se mantenha, o gasóleo aumente 12 cêntimos por litro e a gasolina suba cinco cêntimos na próxima semana.

O Governo anunciou hoje um reforço do desconto fiscal sobre os combustíveis, que será de 7,4 cêntimos por litro no gasóleo e de 5,7 cêntimos na gasolina, incluindo o efeito do IVA.

A valorização do petróleo ocorre num contexto de agravamento das tensões entre Washington e Teerão, depois de o Irão ter reivindicado hoje um ataque contra uma base militar norte-americana no Qatar.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter destruído “vários aviões estratégicos de reabastecimento”, em resposta aos “recentes crimes norte-americanos”.

“Durante este ataque, o sistema de radares de longo alcance e vários aviões estratégicos de reabastecimento foram totalmente destruídos, enquanto outros sofreram danos graves”, declarou a força militar iraniana.

A Guarda Revolucionária advertiu ainda que “ultrapassar linhas vermelhas e atacar a população e as infraestruturas” iranianas terá “consequências muito graves” para os Estados Unidos e para os países que acolhem bases norte-americanas na região.

Por outro lado, as autoridades iranianas elevaram para cerca de 40 o número de mortos e para mais de 400 o de feridos na sequência dos ataques realizados pelos Estados Unidos nos últimos dias.

Segundo as mesmas autoridades, pelo menos oito pessoas morreram durante a noite de quinta-feira em ataques das forças norte-americanas no sul do Irão.

Os ataques atingiram dezenas de pontos do território iraniano, incluindo o condado de Jamir, na província de Fars, onde foram bombardeadas pelo menos seis pontes.

A escalada militar está também a dificultar as negociações para alcançar um acordo de paz definitivo, apesar da assinatura de um memorando de entendimento entre as duas partes há cerca de um mês.

O agravamento das tensões provocou uma subida acentuada dos preços do petróleo, depois de o Brent ter chegado a aproximar-se dos 70 dólares por barril há algumas semanas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou recentemente que os fluxos mundiais de petróleo poderão demorar entre dois e três meses a regressar a uma relativa normalidade após a reabertura do estreito de Ormuz à navegação.

“Uma preocupação a mais longo prazo é que perturbações prolongadas na produção possam provocar perdas permanentes de capacidade produtiva, sobretudo nos casos em que escasseia o financiamento necessário para reativar os poços”, advertiu o FMI.