Madalena Oliveira e Silva vai deixar a presidência da AICEP no final do ano e reformar-se. A saída da presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal foi acertada logo no momento em que aceitou substituir Ricardo Arroja, em junho de 2025, num entendimento então fechado com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.
A solução foi, desde o início, transitória. Madalena Oliveira e Silva, de 70 anos, aceitou completar o mandato em curso e assegurar a estabilidade da agência até à escolha de um novo presidente, que vai acontecer em 2027. Ricardo Arroja tinha sido escolhido em junho de 2024 pelo então ministro da Economia, Pedro Reis, para liderar a AICEP. Ficou pouco mais de um ano no cargo.
A sua saída foi decidida já com Castro Almeida na tutela da Economia. O ministro justificou no Parlamento a exoneração com a necessidade de uma liderança com maior “disponibilidade”, “presença física” e proximidade às empresas, sem pôr em causa as competências técnicas do economista.
Madalena Oliveira e Silva era já administradora executiva quando foi chamada para presidente. É um quadro antigo da agência, onde desempenhou funções em vários ciclos de gestão, incluindo como administradora executiva entre 2017 e 2023, com pelouros ligados às áreas jurídica, financeira, incentivos, custos de contexto e apoio às empresas. Desde a sua posse, a AICEP avançou com uma reorganização interna e redistribuiu pelouros no conselho de administração.
Em setembro, o Governo nomeou Philomène da Costa Dias como vogal executiva, preenchendo a vaga deixada pela promoção de Madalena Oliveira e Silva. Já em novembro, atribuiu à nova administradora as áreas de investimento e análise e gestão de incentivos, enquanto a presidente ficou com a relação com o Governo, a representação da agência, a secretaria-geral, os custos de contexto, os PIN, auditoria e conformidade.
No plano operacional, a agência fechou 2025 com um valor recorde de investimento contratualizado. A AICEP anunciou em janeiro que o investimento contratado no ano anterior atingiu 3.580 milhões de euros, com apoios de 803 milhões e a criação prevista de 6.600 postos de trabalho.
Entre os contratos estiveram projetos da CALB, Everbio, Lift One, Savannah Lithium, Topsoe Battery Materials e United PetFood, num pacote de 3.077 milhões de euros apresentado em Sines com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e de Castro Almeida. A saída de Madalena Oliveira e Silva no final do ano vai abrir um novo ciclo na agência responsável pela promoção das exportações e captação de investimento externo.
Além deste trabalho, a AICEP está também envolvida na criação e financiamento de pólos empresariais pelo país, uma medida anunciada na terça-feira pelo Governo no âmbito do PTRR. Para já, desconhece-se quantos centros de negócios vão nascer e qual o custo da operação.