O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, desafiou esta sexta-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a retirar o chamado pacote laboral na próxima sessão do debate quinzenal no Parlamento. Raimundo argumenta que, se Montenegro o fizesse, prestaria “um grande serviço” ao país.

Em declarações aos jornalistas, o líder comunista considerou que as medidas propostas pelo Governo representam um ataque aos direitos dos trabalhadores e uma cedência aos interesses patronais. “O senhor primeiro-ministro teria a oportunidade de mostrar que ouve os protestos e as preocupações de milhares de portugueses que se manifestaram contra este pacote”, afirmou.

O pacote laboral, apresentado pelo executivo de coligação, prevê alterações às leis do trabalho, incluindo a flexibilização dos horários, a redução de compensações por despedimento e o alargamento do período experimental. Estas medidas têm gerado forte contestação por parte dos sindicatos e da oposição.

Raimundo sublinhou que o PCP continuará a lutar contra estas alterações dentro e fora do Parlamento, salientando que “os trabalhadores não podem pagar por uma crise que não criaram”. O desafio ao primeiro-ministro foi lançado durante uma visita do líder comunista a uma fábrica na zona industrial de Lisboa, onde se solidarizou com os operários em luta.

O próximo debate quinzenal está agendado para a próxima quarta-feira, onde se espera que o tema domine a ordem de trabalhos. Até ao momento, o gabinete de Luís Montenegro não respondeu oficialmente ao repto.