Angola acelera reta final do programa de privatizações com foco no turismo e novas ofertas em bolsa

O programa angolano de privatizações, em curso desde 2019, já privatizou cerca de 120 ativos nacionais e contratualizou aproximadamente 1,3 mil milhões de dólares. Álvaro Fernão, Presidente do Conselho de Administração do IGAPE, descreveu esta fase como “a reta final do programa”, com ainda dez ativos estratégicos por privatizar, dos quais três deverão ocorrer em Bolsa.
O turismo é o primeiro foco do ‘pipeline’ atual. Foram privatizados 15 ativos hoteleiros no âmbito do programa, totalizando cerca de 50 milhões de dólares contratualizados. “É responsabilidade do programa não só arrecadar valores monetários, mas também garantir empregos”, sublinhou Fernão. Há 30 ativos hoteleiros em preparação para negociação, em coordenação com o Ministério do Turismo, que deverão estar disponíveis no segundo semestre deste ano, com negociações em formato B2B. A Bolsa de Valores é apontada como a melhor opção para estas privatizações, pois “melhora a governança, a exigência dos acionistas é maior e os conselhos de administração precisam trabalhar mais para responder às exigências”.
O responsável destacou que “o múltiplo após o lançamento do IPO das operações está em cerca de 4,7%”, indicando uma boa valorização dos ativos no mercado secundário. Dos dez ativos a privatizar, três ou quatro serão em oferta pública inicial, reforçando o turismo.
Está em curso o período de subscrição para 15% da Unitel, a maior operadora móvel do país, com capitalização de cerca de 300 mil milhões de dólares, entre 6 e 24 de julho. Segue-se a fase final do Standard Bank, com a privatização de 10% em Bolsa e 24% junto do parceiro Standard Bank Group, da África do Sul. A Indiama e a Simangola serão os próximos ativos em Bolsa, com processos a decorrer no segundo semestre de 2026, por concurso público com prévia qualificação, para garantir parceiros com capacidade financeira, tecnológica e económica.
No Standard Bank Group, a privatização total chegará a 34% do capital (24% parceiro + 10% público). Com um resultado líquido de cerca de 150 milhões de dólares e um ‘dividend payout’ de 60%, o banco é “muito rentável”. Espera-se concluir esta operação até ao quarto trimestre de 2026, entre setembro e outubro.
O BCA é uma operação mais pequena, com 1,4% das ações, e será lançada também até ao quarto trimestre, com possibilidade de exercício de direito de preferência pelos acionistas.
Na área da comunicação, estão disponíveis para privatização 100% da TV Zimbo (canal aberto e TV Zimbo Internacional) e 100% da Média Nova (jornais, revistas e seis rádios em províncias angolanas). O concurso será lançado e o parceiro será escolhido com base nas melhores propostas, segundo o caderno de encargos.
A Indiama, além de gestora de ativos de diamante, inclui uma clínica e outros ativos. A privatização de 15% em Bolsa está prevista até ao final do ano. A TAG terá 15% privatizados por via de um parceiro estratégico, à semelhança da Angola Telecom, procurando know-how e robustez financeira. Para a Simangola, está prevista uma oferta de 15% em Bolsa ou por prévia qualificação, com decisão a ser tomada até ao final do ano. A Zona Económica Especial, com mais de mil lotes industriais, terá 15% disponíveis, estando em preparação a avaliação e o prospeto.
Álvaro Fernão concluiu que o objetivo vai além das receitas: “alavancar estas empresas, maximizar o seu potencial, internacionalizá-las, e para isso precisamos de estratégia e de parceiros estratégicos connosco”.