A indústria marítima está a viver uma verdadeira febre do petróleo. Segundo a agência Bloomberg, os armadores de todo o mundo já encomendaram um número recorde de superpetroleiros, ultrapassando até o máximo registado durante o boom de 2008, pouco antes de o mercado ficar saturado de navios e as tarifas de transporte entrarem em colapso.

Atualmente, existem 262 superpetroleiros em construção em estaleiros de todo o mundo, de acordo com dados da Clarkson Research Services, um número suficiente para transportar, por si só, todas as exportações de petróleo bruto dos Estados Unidos.

Este crescimento é impulsionado pelo extraordinário rali do transporte marítimo provocado pela guerra com o Irão e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, fatores que fizeram disparar as tarifas para várias centenas de milhares de dólares por dia em determinados momentos. O valor bolsista das grandes companhias de transporte marítimo de petróleo também disparou, ultrapassando já os 60 mil milhões de dólares, praticamente o dobro do registado no início do ano.

No entanto, por detrás da euforia começam também a surgir sinais de alerta. A Bloomberg explica que muitos executivos do setor receiam que a indústria esteja a lançar as bases para um futuro excesso de capacidade.

George Economou, multimilionário armador grego e fundador da TMS Group, reconheceu durante a feira Posidonia, realizada em Atenas, que o contexto atual é “temporariamente melhor” do que o vivido entre 2004 e 2008, embora tenha advertido que “se isto continuar, acabará por ser mau para os petroleiros”. George Youroukos, presidente da Global Ship Lease, resumiu o principal perigo: “O maior risco que o transporte marítimo enfrenta neste momento são os armadores ricos.”