A inteligência artificial está a transformar a forma como empresas e organizações decidem, inovam e competem. Mas, perante um contexto internacional marcado pela aceleração tecnológica, pela instabilidade geopolítica e pela crescente pressão sobre a competitividade, a principal conclusão da 19.ª edição do QSP Summit foi clara: o futuro dependerá da capacidade para integrar tecnologia, liderança, criatividade e pensamento crítico.

Sob o tema ‘Leading the Future Economy’, o QSP Summit, que contava com o JE como um dos ‘sponsors’, reuniu líderes empresariais, académicos e especialistas nacionais e internacionais para debater os fatores que irão moldar a economia e as organizações na próxima década, da inteligência artificial à liderança, da inovação ao comportamento humano e da geopolítica às novas dinâmicas da economia global.

A cerimónia de abertura decorreu no Palácio da Bolsa, no Porto, com uma keynote do economista Nouriel Roubini, dedicada aos principais riscos económicos e geopolíticos que marcam o atual contexto internacional. Conhecido por ter antecipado a crise financeira de 2008, Roubini defendeu que a inteligência artificial representa “a maior inovação tecnológica da história da humanidade”, considerando que o impacto da IA e de outras tecnologias emergentes terá um efeito mais profundo no crescimento económico do que muitos dos atuais fatores de instabilidade global.

O economista alertou igualmente, como adianta comunicado da organização, para a perda de competitividade da Europa face aos Estados Unidos e à China na corrida tecnológica, defendendo que o reforço da inovação, da capacidade de atrair investimento e da integração europeia será determinante para assegurar o crescimento económico nas próximas décadas.

Rui Ribeiro, CEO do QSP Summit, afirmo na abertura: “Vivemos um momento em que tecnologia, geopolítica e economia evoluem a um ritmo sem precedentes. Mais do que discutir tendências, quisemos criar um espaço onde líderes e organizações pudessem refletir sobre as decisões que terão de tomar nos próximos anos. É essa capacidade de antecipação e adaptação que determinará a competitividade das organizações na economia do futuro.”

A Exponor, em Matosinhos, recebeu um programa distribuído por sete palcos dedicados à gestão, estratégia e inovação, onde cerca de 100 especialistas nacionais e internacionais aprofundaram os grandes temas que marcaram esta edição do QSP Summit.

O Main Stage reuniu algumas das principais referências internacionais nas áreas da liderança, inteligência artificial (IA), economia, inovação, criatividade e comportamento humano. Apesar da diversidade dos temas, emergiu uma conclusão comum: a vantagem competitiva dependerá menos da tecnologia, por si só, e mais da capacidade para a integrar com liderança, pensamento crítico, criatividade e adaptação.

Amy Edmondson, professora da Harvard Business School e referência internacional em liderança e psychological safety, defendeu que as organizações mais resilientes são aquelas que promovem ambientes onde as pessoas podem questionar, experimentar e aprender com o erro. Num contexto de elevada incerteza, sublinhou que a segurança psicológica é determinante para estimular a inovação, reforçar o desempenho coletivo e acelerar a aprendizagem.

Peter Zemsky, professor do INSEAD e especialista em estratégia e inteligência artificial, defendeu que a IA só cria vantagem competitiva quando integrada na estratégia das organizações. O verdadeiro desafio passa por identificar os problemas certos, redesenhar processos, desenvolver competências e transformar a tecnologia em criação efetiva de valor.

Partindo da história das grandes revoluções tecnológicas, Scott Anthony, especialista internacional em inovação disruptiva e autor ligado à escola de pensamento de Clayton Christensen, refletiu sobre a forma como empresas e líderes podem responder a ciclos de disrupção cada vez mais rápidos, defendendo a experimentação, a simplicidade e a aprendizagem contínua como fatores essenciais para transformar a incerteza em vantagem competitiva.

Já Ben Hammersley, futurista e especialista em transformação tecnológica, analisou o impacto da IA generativa nos modelos de gestão, mostrando como esta tecnologia está a obrigar empresas e líderes a repensar estruturas, processos e formas de colaboração.

Dan Ariely, professor na Duke University e referência internacional em economia comportamental, explorou os fatores que influenciam a motivação, demonstrando que propósito, reconhecimento e significado produzem resultados mais sustentáveis do que incentivos exclusivamente financeiros.

A dimensão geopolítica da economia esteve em destaque com Shirley Ze Yu, economista política e Senior Visiting Fellow na London School of Economics and Political Science, que analisou a ascensão da China como potência tecnológica e industrial, explicando como esta transformação está a alterar o equilíbrio económico mundial, as cadeias de valor e a competitividade internacional.

O Main Stage contou ainda com uma intervenção especial, apresentada em formato de vídeo, de Islam ElDessouky, Global Vice President Creative Strategy & Content da Coca-Cola, que defendeu a criatividade como uma disciplina estratégica de negócio. Através de vários casos internacionais, demonstrou como cultura, emoção e conhecimento profundo das comunidades continuam a ser fatores decisivos para construir marcas relevantes e duradouras.

Os Worklabs transportaram esta reflexão para uma dimensão prática, reunindo líderes empresariais e especialistas nacionais e internacionais para discutir a aplicação destes desafios ao quotidiano das organizações, refere ainda o comunicado.

Da liderança em contextos de elevada incerteza à utilização responsável da IA, da sustentabilidade à competitividade internacional, da gestão de talento ao marketing, da experiência do consumidor à construção de marcas, as diferentes sessões evidenciaram a necessidade de desenvolver organizações mais ágeis, colaborativas e preparadas para responder à mudança.

Apesar da diversidade dos temas, emergiu uma conclusão transversal: a tecnologia continuará a acelerar a transformação, mas a diferenciação dependerá da capacidade das organizações para desenvolver talento, promover colaboração, criar confiança e tomar decisões sustentadas.

As Special Sessions alargaram o debate a diferentes setores de atividade, abordando temas como gestão do risco, regeneração urbana, turismo, comunicação, consumo e transformação digital.

Entre as principais conclusões destacou-se a importância de antecipar riscos, desenvolver cidades mais inovadoras e sustentáveis, reforçar a competitividade dos destinos através da autenticidade e da criação de experiências diferenciadoras, acompanhar a evolução dos hábitos de consumo e acelerar a transformação digital sem perder o papel central da decisão humana.

Apesar da diversidade dos temas, todas as sessões reforçaram uma ideia comum à edição: a tecnologia continuará a transformar modelos de negócio, mas a liderança, a criatividade, o pensamento crítico e a capacidade de decisão permanecerão no centro da criação de valor.