As taxas de juro dos novos depósitos e do crédito à habitação voltaram a aumentar em maio, segundo os dados divulgados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal. A prestação média mensal dos empréstimos para compra de casa atingiu também um novo máximo histórico, fixando-se nos 432 euros.
A taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares subiu pelo quarto mês consecutivo, passando de 1,44% em abril para 1,48% em maio. Apesar da subida da remuneração, o montante aplicado em novos depósitos diminuiu para 12,4 mil milhões de euros, menos 976 milhões do que no mês anterior. Os depósitos com prazo até um ano continuaram a dominar o mercado, representando 97% das novas aplicações.
No conjunto da área do euro, a taxa média dos novos depósitos aumentou para 1,96%, mantendo Portugal como o sexto país com a remuneração mais baixa neste segmento.
No crédito à habitação, a taxa de juro média das novas operações aumentou 0,04 pontos percentuais, para 2,89%. A subida foi impulsionada pelos novos contratos, cuja taxa média passou de 2,86% para 2,91%, enquanto as operações renegociadas permaneceram nos 2,83%.
Em maio, foram concedidos 2.168 milhões de euros em novos contratos de crédito à habitação, mais 89 milhões do que em abril. No total, as novas operações de empréstimos a particulares ascenderam a 3.785 milhões de euros, um valor idêntico ao do mês anterior, com o aumento do crédito à habitação e de outros empréstimos a compensar a redução do crédito ao consumo.
A prestação média mensal do conjunto dos empréstimos à habitação voltou a subir pelo nono mês consecutivo, alcançando os 432 euros, o valor mais elevado desde o início da série estatística. Face a abril, o encargo médio aumentou quatro euros e, comparando com o final de 2025, o acréscimo foi de 14 euros.
A preferência dos mutuários continuou a centrar-se nas taxas mistas, escolhidas em 85% dos novos contratos para aquisição ou construção de habitação própria permanente. Nestes empréstimos, a taxa média subiu para 2,77%, enquanto nos contratos com taxa variável aumentou para 3,05%.
Já no crédito ao consumo, a taxa média recuou ligeiramente para 8,90%, menos 0,08 pontos percentuais do que em abril.
No segmento empresarial, a taxa média dos novos depósitos aumentou para 1,88%, enquanto a dos novos empréstimos subiu para 3,92%, refletindo um agravamento dos custos de financiamento. O montante de novos empréstimos concedidos às empresas caiu para 2.523 milhões de euros, menos 306 milhões do que no mês anterior, devido à redução dos novos contratos.
Comparando com os restantes países da área do euro, Portugal manteve-se entre os mercados com condições de financiamento mais favoráveis para a compra de habitação, apresentando a quarta taxa de juro mais baixa nas novas operações de crédito à habitação.