A Token Trust, startup fundada em Braga por Paulo Cardoso Amaral, Patrícia Santos e Alberto Amaral, está prestes a revolucionar o acesso das Pequenas e Médias Empresas (PME) ao mercado de capitais. A empresa desenvolveu uma plataforma que utiliza a tokenização para democratizar o investimento, permitindo que empresas de menor porte emitam títulos de forma eficiente e com custos reduzidos.

Segundo Paulo Cardoso Amaral, em entrevista ao Jornal Económico, “a tokenização de instrumentos financeiros só faz sentido se democratizar o acesso ao investimento”. Atualmente, 99% das empresas europeias estão excluídas do mercado de capitais devido a uma cadeia de intermediários com custos fixos elevados, tornando emissões abaixo de 10 milhões de euros economicamente inviáveis. A Token Trust elimina essa barreira ao integrar num único sistema as funções de emissão, negociação e liquidação de valores mobiliários, reduzindo o tempo de liquidação de dois dias para segundos.

A plataforma transforma ativos tradicionais em representações digitais (tokens), registados de forma segura numa Distributed Ledger Technology (DLT). Cada token corresponde a uma fração ou à totalidade da propriedade ou direitos económicos sobre o ativo subjacente. A consultora PwC projeta que os ativos tokenizados atinjam 715 mil milhões de dólares até 2030, com uma potencial redução de 30 a 50% dos custos operacionais.

Os instrumentos financeiros oferecidos pela Token Trust (obrigações e fundos de investimento) são regulados pela MiFID II e supervisionados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A empresa já está licenciada pela CMVM, mas aguarda a licença da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) para iniciar operações, o que deve acontecer ainda em 2026. “A expetativa é que o processo esteja finalizado em 2026, permitindo à empresa operar ainda este ano”, afirmou Paulo Amaral.

Uma das principais inovações da Token Trust é a manutenção da propriedade dos ativos nas mãos dos investidores, através de uma wallet digital. “Isto dá uma segurança que a tecnologia hoje não dá. Os ativos estão na wallet da pessoa”, acrescentou Paulo Amaral.