O ambiente de mercado mantém-se marcado por tensões geopolíticas no Médio Oriente, com o conflito EUA-Irão a dominar o sentimento dos investidores. Ameaças de retomar de ataques ao Irão prometiam deixar mercados à beira de um ataque de nervos. No entanto, uma mensagem de última hora do Presidente Donald Trump na rede social Truth pode ter invertido o mood dos investidores esta quarta-feira.
Trump anunciou a extensão do cessar-fogo com o Irão justificando que o governo iraniano está “seriamente fragmentado”. A prorrogação foi feita a pedido do Marechal de Campo Asim Munir e do Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão. Trump ordenou às Forças Armadas que mantenham o bloqueio naval, mas estendeu o cessar-fogo até que o Irão apresente uma proposta unificada. Este anúncio altera o cenário de risco de forma significativa para os mercados de amanhã.
“Considerando que o governo do Irão está seriamente fragmentado, o que não surpreende, e a pedido do Marechal de Campo Asim Munir e do Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, foi-nos pedido que suspendêssemos o nosso ataque ao Irão até que os seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada. Por conseguinte, ordenei às nossas Forças Armadas que continuem o bloqueio e, em todos os outros aspetos, se mantenham prontas e aptas, e, consequentemente, iremos prolongar o cessar-fogo até que a sua proposta seja apresentada e as discussões estejam concluídas, de uma forma ou de outra”, escreveu Trump na Truth Social.
O petróleo tinha subido fortemente ao longo do dia antes do anúncio. O Brent chegou a subir cerca de 4,5% para os 99,78 dólares/barril e o WTI avançou 5,3% para os 94,36 dólares, após Trump ter dito que não queria prorrogar o cessar-fogo e que os militares estavam “preparados para agir”. Mas com a extensão do cessar-fogo, é expectável algum alívio na pressão dos preços do petróleo em sessão asiática e europeia de amanhã, embora a incerteza permaneça elevada.
A extensão do cessar-fogo sem retoma imediata dos combates é genericamente positiva para as bolsas. Esta terça-feira o S&P 500 perdeu 0,63%, para os 7.064,01 pontos. O Nasdaq Composite cedeu 0,59%, para os 24.259,96 pontos. Também o Dow Jones desvalorizou 0,59%, para os 49.149,38 pontos. O novo anúncio deverá criar um movimento de subida.
O cenário permanece frágil. O Irão já decidiu não comparecer às negociações no Paquistão, segundo a agência Tasnim, afirmando que a decisão é final e que não há perspetiva de participação nas conversações “por várias razões”.
A extensão do cessar-fogo é aberta e sem prazo definido, o que também cria incerteza adicional.
É esperado um recuo dos preços do crude em pré-mercado asiático, mas sem movimentos bruscos enquanto o Estreito de Ormuz não reabrir de forma sustentada.
O Estreito de Ormuz mantém-se funcionalmente fechado, com o Irão a ameaçar retaliação após a marinha americana ter abordado um cargueiro iraniano.
Analistas estimam que qualquer reabertura do Estreito poderia provocar uma queda imediata de 10 dólares a 20 dólares no crude por questões especulativas, mas que o alívio seria temporário, com o Brent a ancorar nos 80 dólares e 90 dólares devido a estrangulamentos na cadeia de abastecimento e danos em infraestruturas.
Assim, o mercado chega a quarta-feira com um sentimento genericamente positivo, suportado pelo arrefecimento da tensão no Médio Oriente e por uma época de resultados sólida. O fluxo de resultados empresariais (IBM, ServiceNow, AmEx) e os PMIs de abril serão os principais catalisadores do dia. A audição de Warsh na Fed é um risco adicional a vigiar.
Esta terça-feira deixou uma onda negativa nos mercados. Isto depois de vice-presidente JD Vance ter adiado a sua partida para o Paquistão, permanecendo reunido na Casa Branca em vez de seguir para a cimeira com o Irão em Islamabade. Isto, depois de o Irão afirmar que as negociações de cessar-fogo só poderão ser retomadas depois de os EUA suspenderem o bloqueio. “Bloquear os portos iranianos é um ato de guerra”, defende a cúpula do Irão.
Os esforços do Paquistão para persuadir os EUA a levantar o bloqueio naval e a libertar um navio iraniano e a sua tripulação ainda não surtiram efeito, disse à Reuters um alto funcionário iraniano.
O vice-presidente, juntamente com a cúpula da diplomacia e defesa dos EUA, encontrava-se ontem retido na Casa Branca para reavaliar os próximos passos. Segundo a CNN e o NYT, os negociadores designados regressaram a Washington, sinalizando um impasse ou uma mudança de planos de última hora. Marco Rubio e Pete Hegseth em Washington. Jared Kushner e Steve Witkoff, que integrariam a delegação negociadora, também foram chamados de volta à capital.
Os preços do crude mantêm-se claramente acima dos níveis pré-conflito, em torno dos 100 dólares por barril, com os mercados de futuros a sinalizarem ainda alguma pressão de oferta no curto prazo. O que não traz optimismo à economia mundial. Por exemplo, a Lufthansa cancelou 20.000 voos para poupar combustível devido aos preços em alta.
Para esta quarta-feira destacam-se os dados preliminares do S&P Global PMI Manufactureiro e de Serviços de abril (EUA), às 9h45 ET, e os pedidos de subsídio de desemprego (Initial Claims). CNBC Estes dados serão fundamentais para calibrar as expectativas quanto à saúde da economia americana.
Quarta-feira é um dia muito carregado de resultados do 1.º trimestre de 2026: IBM (após fecho). Os analistas projetam uma receita de 15,63 mil milhões de dólares, com as vendas de software em destaque. A estratégia de nuvem híbrida e IA empresarial é vista como o principal motor de crescimento. A ServiceNow também reporta resultados após o fecho. Os analistas estão atentos ao crescimento das subscrições e à adoção das funcionalidades de IA. O consenso é claramente otimista, com 37 recomendações de compra contra apenas 3 de venda.
Outros destaques do dia: United Rentals, Raymond James, Crown Castle, Lam Research, Intel, American Express, Blackstone, Honeywell, Comcast, Lockheed Martin, NextEra Energy e Freeport-McMoRan, entre muitos outros.
Esta terça-feira Kevin Warsh, nomeado por Trump para presidir à Reserva Federal, testemunhou perante o Comité Bancário do Senado numa audiência de confirmação crucial para a sua nomeação para liderar o banco central dos EUA.
O Comité Bancário do Senado deverá confirmar o nome de Kevin Warsh para suceder a Jerome Powell na liderança da Reserva Federal norte-americana (Fed). A audição de Warsh perante os senadores nesta terça-feira durou duas horas e meia. “O presidente nunca me pediu para predeterminar, comprometer-me, fixar ou decidir qualquer taxa de juro em nenhuma das nossas conversas. Nem eu jamais concordaria em fazê-lo”, disse Warsh.