O Presidente chinês Xi Jinping advertiu hoje o homólogo norte‑americano, Donald Trump, de um conflito entre os dois países caso Washington não lide bem com a questão de Taiwan, segundo a televisão estatal chinesa.

“A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino‑norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter‑se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar‑se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou Xi, utilizando um termo em mandarim que não significa necessariamente conflito militar.

Donald Trump chegou na quarta-feira a Pequim para iniciar dois dias de conversações com o Presidente chinês.

O líder norte-americano foi recebido esta manhã por Xi Jinping no Grande Salão do Povo, edifício na Praça Tiananmen que acolhe a Assembleia Nacional Popular, o parlamento do país.

Entre os temas em discussão contam‑se o Irão, comércio bilateral, Taiwan e até um eventual acordo tripartido de armas nucleares entre Washington, Pequim e Moscovo.

A questão de Taiwan pesa na agenda dado o desagrado de Pequim com o pacote de armas norte‑americano de 11 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de euros) aprovado para a ilha.

Pequim insiste que a questão “não pode ser evitada” e procura sinais, mesmo que subtis, de redução do apoio norte-americano à ilha.

Antes da visita, uma porta-voz do Governo chinês sublinhou a determinação da China em opor-se à independência de Taiwan é “tão firme como uma rocha” e a que a capacidade de esmagar qualquer tentativa de secessão é inabalável.

Os comentários vieram depois de uma recente intervenção do líder de Taiwan William Lai Ching-te, na Cimeira da Democracia de Copenhaga, na qual afirmou que a democracia é o “bem mais precioso” de Taiwan e que o povo taiwanês “sabe muito bem que a democracia se conquista, não se concede”.

“O povo taiwanês nunca recuou perante os crescentes desafios externos e nunca se submeterá à pressão. Taiwan é uma nação soberana e independente (…). Nenhuma tentativa de isolar Taiwan alterará a nossa determinação em participar na comunidade internacional”, sublinhou ainda o líder da ilha, numa mensagem em vídeo.

Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um ator central no contexto das disputas entre as Pequim e Taipé, sendo que Washington está legalmente comprometida a fornecer a Taiwan os meios necessários para a sua autodefesa e, embora não mantenha laços diplomáticos com a ilha, poderia defendê-la em caso de conflito com a China.

Para além de abordar a questão da venda de armas, Xi poderá também aproveitar o encontro com Trump para tentar alterar a posição oficial de Washington em relação a Taiwan, seja promovendo uma declaração de oposição à independência de Taiwan, seja procurando uma formulação mais favorável à posição chinesa sobre a chamada ‘reunificação’.

Xi tem uma visita recíproca planeada para o final deste ano, que seria a sua primeira visita aos Estados Unidos desde que Trump reassumiu o cargo em 2025.