Três chaves vão abrir a porta, não à vez, mas em simultâneo. O futuro dos programas de MBA passa por evoluir três dimensões chave: modelos de aprendizagem, formatos e temáticas.
“O futuro dos MBA passará por programas mais flexíveis, mais exigentes e mais ligados à realidade. Haverá mais modelos híbridos, maior modularidade e maior compatibilidade com vidas profissionais intensas”, antecipa José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education. Mas atenção, alerta. “Flexibilidade não pode significar facilitismo. Pelo contrário, o MBA do futuro terá de ser ainda mais relevante, mais aplicável e mais transformador”.
No essencial, os líderes das escolas de negócios com responsabilidade direta em MBA ouvidos pelo Jornal Económico, olham para o futuro do programa por uma lente similar à do professor Crespo de Carvalho.
Para Ana Côrte-Real, Faculty & Corporate Relations Director e MBA Director da Porto Business School, “a aprendizagem terá de ser cada vez mais contínua, adaptativa e experiencial”. Nas temáticas, a tendência, adianta, é para que áreas como Inteligência Artificial, sustentabilidade, ética e inovação deixem de ser disciplinas isoladas para passarem a “estar integradas transversalmente em todo o programa”, preparando líderes para “ambientes complexos e tecnológicos”.
A responsável da PBS vê os formatos a tornar-se mais flexíveis e híbridos.
“É natural que aumente a oferta de cursos realizados de forma remota (i.e., online) ou híbrida”, acompanha Pedro Torres, Subdiretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Coordenador do MBA para Executivos, mas com salvaguardas. A experiência que o programa proporciona conta. No caso do da FEUC, essa experiência “está muito ligada à cultura académica que se vive na cidade e à integração dos estudantes na Universidade”. Conclusão?
O formato presencial vai continuar a ser privilegiado. De forma dinâmica, entenda-se. “É possível a introdução de alguma inovação pedagógica, que pode passar pela utilização de mais tecnologia na personalização da experiência de cada estudante, de forma complementar ou integrada nas aulas presenciais”, adianta Pedro Torres.
Entre os novos temas, destaque para o pensamento computacional, a transição energética, a liderança de equipas híbridas (humanos + agentes de IA), bem como “questões relacionadas com a gestão do risco tecnológico e a cibersegurança”.
Agostinho Abrunhosa, diretor do AESE Executive MBA, não se afasta muito: “Haverá certamente novos formatos e maior integração de tecnologia, incluindo inteligência artificial e simulações. Mas aquilo que realmente distingue um MBA continuará a ser o desenvolvimento da análise, da capacidade de decidir e implementar em contextos complexos e da liderança de pessoas”, detalha.
Não está em causa o conceito. Nem se trata de o reinventar. Em termos temáticos, veremos também, acrescenta, uma crescente integração de IA aplicada à gestão, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade.
Ao nível dos conteúdos, Margarita Carvalho, Cocoordenadora do MBA Executivo da Universidade Portucalense, aponta justamente para as áreas da transformação digital, inteligência artificial, sustentabilidade e inovação. “Continuarão a ganhar protagonismo, a par do desenvolvimento de competências humanas, tais como a liderança, a criatividade, o pensamento crítico e a resiliência, cada vez mais valorizadas num mundo empresarial em rápida transformação”.
O contexto atual é de grande incerteza. O mundo, salienta, José Crespo de Carvalho, está “mais instável, mais rápido e mais complexo”, o que significa que os MBA “terão de formar menos repetidores de fórmulas e mais decisores capazes de pensar, integrar e agir.”
Fazendo-o, acrescenta, “de forma independente e for mando ideias próprias, convicções, baseadas no seu conhecimento e nas suas competências”.
Na mesma linha e em síntese, remata Luís Marques, Diretor do MBA Executivo e Docente na Católica Porto Business School: “O MBA do futuro será menos sobre acumular conhecimento e mais sobre desenvolver a capacidade de interpretar contextos complexos, tomar decisões com impacto e liderar processos de transformação nas organizações”.
É o resultado que importa.