
Álvaro Santos Pereira apresentou no Relatório do Conselho de Administração de 2025, publicado esta quinta-feira, a sua visão estratégica para os próximos cinco anos, que será “assente na proximidade aos cidadãos, na literacia financeira, na supervisão exigente e na independência institucional”.
O novo plano 2026–2030 define cinco orientações para tornar o banco central numa referência nacional e internacional.
Segundo o relatório, o novo ciclo estratégico sucede ao iniciado em 2021 e estabelece cinco orientações fundamentais para os próximos cinco anos. A ambição, segundo o Governador, é transformar o Banco de Portugal num agente ativo da mudança económica e social do país, reforçando o seu papel junto de cidadãos, empresas e decisores públicos.
No enquadramento económico, Santos Pereira sublinha o desempenho positivo da economia portuguesa em 2025, que voltou a crescer acima da média da área do euro. Destaca ainda o aumento do emprego por conta de outrem, a subida dos salários reais, a redução do endividamento e a existência de excedentes nas contas públicas e externas. Também o setor bancário registou uma evolução favorável, sustentada pelo contexto macroeconómico, por uma supervisão consistente e pelos ajustamentos estruturais realizados nos últimos anos.
A proximidade à sociedade surge como um dos pilares do plano. O Banco de Portugal compromete-se a intensificar a partilha de informação relevante com cidadãos, empresas, academia e organizações da sociedade civil, contribuindo para decisões económicas mais informadas e para a melhoria das políticas públicas.
Entre as prioridades, destaca-se o reforço da literacia financeira, económica e estatística, considerada essencial para o bem-estar da população. O combate à desinformação e à fraude financeira é igualmente apontado como uma prioridade absoluta, sobretudo pela sua incidência nos grupos mais vulneráveis.
Na área da supervisão, o banco central assume uma atuação firme e exigente, com foco na prevenção e na resolução estrutural de problemas. Está também prevista a simplificação das obrigações de reporte e a eliminação de redundâncias regulatórias, bem como o reforço do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento de atividades ilícitas.
No plano internacional, a estratégia passa pelo aprofundamento da cooperação com outros bancos centrais, tanto no contexto europeu como no espaço lusófono. A criação de redes e de uma agenda comum pretende reforçar a influência e a capacidade de intervenção do Banco de Portugal nos fóruns internacionais.
Num contexto global marcado pela incerteza, fragmentação geopolítica, polarização social, alterações climáticas e rápida transformação tecnológica, o Governador reafirma o compromisso com uma instituição íntegra, transparente e independente, capaz de inovar e atrair talento.
O plano estratégico define cinco eixos de atuação: um banco capacitador, que promove a tomada de decisões informadas; um banco simplificador, focado na redução de custos de contexto; um banco inovador, que aposta na tecnologia e na inteligência artificial com critérios éticos; um banco líder, que se afirma nas áreas onde tem vantagem competitiva; e um banco transformador, orientado para maior eficiência, colaboração e transparência.
A execução da estratégia será monitorizada anualmente através do Relatório do Conselho de Administração — Atividade e Conta, assegurando um mecanismo regular de prestação de contas. O objetivo final é que, até 2030, o Banco de Portugal seja amplamente reconhecido pelo seu contributo para o bem-estar da população e para decisões económicas mais informadas.