O Governo moçambicano pediu este domingo a racionalização de combustíveis disponíveis, através do uso de transportes públicos e de trabalho remoto, apelando à preparação para uma eventual atualização dos preços destes produtos em maio.
Em comunicado divulgado pelo Gabinete de Informação (Gabinfo), o executivo adianta que reiterou a disponibilidade de combustíveis no país, apelando aos operadores responsabilidade para nunca colocar em causa o interesse público no âmbito da disponibilização dos produtos.
“O Governo informa que vai continuar a trabalhar no sentido de proteger a economia, as famílias e os cidadãos, enquanto o País se prepara para, a breve trecho, atualizar os preços dos combustíveis, cuja próxima reposição deverá ser feita através de produtos adquiridos numa altura em que os preços internacionais se encontravam em alta”, lê-se no documento divulgado pelo Gabinfo.
Neste sentido, o Governo exorta a todos para que “se preparem para o ‘novo normal'” que a manutenção da instabilidade no Médio Oriente há de causar, “racionalizando o uso de combustível, elegendo os transportes públicos como opção, equacionando a possibilidade de realização do trabalho remotamente e outras medidas que forem necessárias”.
Maputo vive dias de caos em várias ruas, com filas generalizadas de automobilistas que tentam abastecer combustível, com a maioria dos postos encerrados e outros com reforço policial, embora com ligeiras melhorias na disponibilidade de gasolina e gasóleo.
O cenário, associado à crise provocada pelo conflito no Médio Oriente, tem vindo a alastrar-se a outras províncias do país.
Hoje, o Governo avança ter constatado que a alegada crise de combustíveis nos postos foi causada pela “corrida massiva de automobilistas aos postos de abastecimento”, adquirindo “quantidades descomunais com receio de esgotamento de ‘stocks’, incapacidade dalgumas distribuidoras de adquirir combustível nos relevantes portos, devido a problemas de liquidez e fortes indícios de açambarcamento de combustíveis”.
No sábado, o Governo moçambicano tinha adiantado ter iniciado a fiscalização dos postos de abastecimento, incluindo a verificação das quantidades nos tanques dos revendedores, e solicitou relatórios de venda para compreender a origem da falta de combustíveis líquidos.
“Queremos agora perceber o que está a acontecer na cadeia de distribuição de combustíveis (…). Estamos a fazer a verificação nos tanques para também perceber se existe combustível nos tanques ou não e também estamos a solicitar o relatório de vendas em cada [posto de] venda, para também aferir se realmente esse combustível chegou e está a ser vendido”, disse a diretora da Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis (DNHC), Felisbela Cunhete.
“Queremos saber por que o combustível que está a sair dos tanques lá na Matola não chega aos postos de abastecimentos, porque temos uma plataforma de controlo de tudo o que está a sair (…). Então, não faz sentido esse combustível não chegar às bombas, não faz sentido essas filas que estamos a assistir, porque o combustível saiu”, acrescentou.
Com isso, os revendedores decidiram determinar quantidades máximas a vender por cada veículo, com a diretora da DNHC a esclarecer que não foi uma orientação do Governo.
A autoridade Reguladora de Energia (Arene) também está a fiscalizar os postos de abastecimento nas cidades de Maputo e Matola, na sequência das “grandes filas” que se têm registado nos últimos dias, visando apurar as causas de elevada procura e os constrangimentos no abastecimento.
O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (Mireme) aprovou na quinta-feira “medidas excecionais e imediatas” para garantir o abastecimento de combustíveis líquidos no país, assegurando o reabastecimento célere dos postos e a existência de disponibilidade do produto ao público.
O Governo reconheceu anteriormente “pressão” sobre os postos de combustíveis, quando surgem enormes filas para abastecer face a receios de rutura de ‘stock’ e subida de preços.