Gonçalo Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado, já reuniu com os CEO de todas as grandes empresas e todos manifestaram interesse em instalar centros de dados ou gigafábricas em Portugal. É a prova, justifica, de que o país “tem condições únicas para atrair a indústria do futuro da inteligência artificial”. Sines é a cereja no topo do bolo.
Há talento – “começamos a ter condições para fixar os jovens”, proximidade aos pontos de amarração de vários cabos submarinos e beneficiar de um mix energético que anda pelos 63% de renováveis, o que permite energia do mais barato na Europa.

Gonçalo Matias abriu a AI Summit 2026, cimeira de inteligência artificial do Jornal Económico, realizada com o apoio da askblue, VisionWare e Abreu Advogados. O investimento em IA foi uma parte importante da sua intervenção. Adiantou que já foram tomadas medidas para evitar que o país se transforme num parque de centros de dados, um terreno de experimentação adhoc. Referia-se ao Plano Nacional de Centros de Dados, já aprovado. “Uma estratégia organizada”, que escolha “previamente as localizações”, que “garanta que há agregação de valor, que há investigação e desenvolvimento feito nas nossas universidades em colaboração com universidades estrangeiras”.

Defendeu depois a importância de haver uma componente industrial associada, para que haja, pelo menos, alguma fabricação de componentes em Portugal. “É mais difícil, admitiu, “mas não é impossível, sobretudo se criarmos um cluster, uma indústria à volta”. E este cluster, sublinhou, não é daqueles que aparece hoje para desaparecer amanhã, porque a indústria do futuro é a inteligência artificial. Veio para ficar.

Na sequência, Gonçalo Matias enumerou vários outros passos dados pelo Governo no âmbito da reforma do Estado, que visa “melhor servir os cidadãos”, “melhorar as condições de vida das empresas” e aumentar a “atratividade do investimento”. Destacamos, o anúncio de que o Governo vai aprovar, em breve, a Lei da Interoperabilidade, que concretiza o ‘princípio de uma só vez’. Na prática, vão deixar de ser exigidas informações ou documentos que o Estado já tenha, através de sistemas de interoperabilidade entre serviços públicos.

Segundo o ministro, em todos os mecanismos e vertentes da reforma que o Governo está a empreender no Estado, está a ser introduzida tecnologia e inteligência artificial. “Criámos uma plataforma com IA para licenciamento urbanístico, estamos a introduzir IA na contratação pública e no código de procedimento administrativo, em termos gerais”. Também nos licenciamentos, por exemplo, um cancro de que queixam todos os investidores quer sejam nacionais, quer estrangeiros, é possível encurtar consideravelmente os intermináveis processos com a ajuda da IA, adiantou.

No essencial, a AISummit 2026 trouxe notícias, tirou dúvidas e lotou o anfiteatro da Abreu Advogados. Filipe Gil, editor Online do JE, debateu os Impactos da IA, com Bruno Castro, CEO da Visionware, Ricardo Antunes da Silva, Leader Sales & Solutions Engineering, CTO da Cisco, Ricardo Henriques, Sócio da Abreu Advogados e Ricardo Santos Ferreira, subdiretor do JE, moderou pontos de vista sobre a corrida tecnológica, questionando Nuno Saramago, Diretor-Geral da SAP, André Rodrigues, Head of Technology da AWS e Andres Ortolá, Diretor-Geral da Microsoft Portugal. Depois de Gonçalo Matias, o investimento tecnológico voltou à mesa com Miguel Frasquilho, presidente do Conselho Estratégico da CIP. Já Pedro Oliveira, dean da Nova SBE, contou a André Macedo, Diretor do JE, como a IA está a transformar a formação. Pelo meio, mergulhámos nos agentes de IA com Rui Leal, Head of iLab na askblue, e nas redes e infraestruturas com Nuno Cadima, COO da MEO. Na próxima edição, damos todos os pormenores.