“É o cliente quem está a trazer a mudança ao setor dos seguros da saúde. O cliente hoje tem mais informação do que nunca e vai diretamente ao especialista e quando o faz já leva o seu diagnóstico. A questão é saber o que estamos a fazer para ajudar o cliente nessa jornada? Porque enquanto não nos colocarmos do lado do cliente não iremos conseguir ter uma gestão ativa”. A afirmação é de José Pedro Inácio, CEO da seguradora Advance Care.
O responsável participou numa conversa com Ana Pinto, Efficiency Architect na Askblue, no decorrer do Seguros Summit 2026, que se realizou esta manhã, 20 de maio, no Hotel Dom Pedro, em Lisboa, numa organização do Jornal Económico (JE).
Na conversa, moderada pelo subdiretor do JE, Ricardo Simões Ferreira, José Pedro Inácio indicou que o envelhecimento da população portuguesa, que “teve uma maior aceleração nos últimos 20 anos”, veio incentivar a evolução do mercado dos seguros, passando da “visão de atuar depois do acontecimento, para uma gestão ativa e do que é necessário fazer antes. e dar os passos para uma gestão ativa. Estamos a fazer pouco ainda na prevenção precoce. Quem trabalha com subsistemas de saúde desenvolve este tipo de soluções. Há que dar os incentivos corretos, do lado do cliente e das seguradoras”.
O responsável da Advance Care deu o exemplo de um doente diabético: “se tiver uma interação mais precoce será um cliente com menos custos. Uso a palavra cliente porque queremos trabalhar com ele antes de passar a doente”, sublinhando que o know-how clínico em saúde para uma seguradora é essencial.
Ana Pinto, Efficiency Architect na Askblue, corroborou com a visão, acrescentando que é necessário que o setor se foque em três pontos: “A velocidade da resposta – porque estamos todos sedentos de respostas e consultas rápidas, e isso deve acontecer através da tecnologia”. Como segundo ponto apontou a experiência: “Já não é diferente de setor para setor. Hoje em dia, se tivemos uma boa experiência no retalho ou noutro setor, estamos também à espera que os seguros deem o mesmo nível de resposta e experiência”. A concluir, indicou a personalização, com conhecimento de dados, como o terceiro ponto diferencial.
Estarão as organizações preparadas para recolher e tratar a massa de informação? Ana Pinto respondeu ser “importante consolidar a Inteligência Artificial (IA), e que é necessário aprender e colocar em prática”. A responsável falou da necessidade de que os vários segmentos envolvidos nos seguros – mediadores, seguradores e prestadores de serviços – tenham a mesma experiência para o cliente, como uma “jornada única”. “Se marco uma consulta, deve estar automaticamente na minha agenda e no dia seguinte tenho de saber a que horas devo sair de casa por causa do trânsito, etc., ou seja, uma verdadeira jornada ‘Wow’”.
Sobre o futuro, questionados sobre a evolução do setor dentro de três anos, Ana Pinto acredita que essas jornadas ‘Wow’ sejam uma realidade com um “ecossistema de saúde que as ajude a concretizar”. A terminar, José Pedro Inácio acredita que dentro de pouco tempo será possível fazer parte das jornadas e acompanhar “o cliente de fio a pavio”.