Portugal quer posicionar-se na linha da frente da descarbonização do transporte marítimo através da criação de corredores marítimos verdes, uma abordagem que procura alinhar toda a cadeia de valor — dos portos aos armadores, passando por fornecedores de combustível, investidores e reguladores — em torno de rotas concretas de transição energética.
A proposta foi destacada por Carlos Costa Pina, presidente do Fórum Oceano no evento Portugal China Green Maritime Fuels & Descarbonisation 2026 realizado hoje no Templo dos Poetas, em Oeiras onde sublinhou o potencial estratégico de um corredor com origem ou destino em Sines, capaz de integrar soluções energéticas de transição e evoluir progressivamente para combustíveis limpos como o metanol e a amónia verde.
“Os corredores verdes permitem quebrar o bloqueio clássico da transição: os armadores hesitam sem combustível disponível, os produtores sem procura garantida e os portos sem tráfego comprometido”, afirmou, defendendo que esta abordagem “transforma a intenção em execução”.
A iniciativa prevê a criação de cadeias de abastecimento certificadas, contratos de longo prazo e mecanismos de monitorização e reporte padronizados, elementos considerados essenciais para garantir confiança e viabilidade económica. Segundo Costa Pina, trata-se de uma visão “ambiciosa, mas realista”, desde que exista articulação entre tecnologia, infraestrutura, regulação e compromisso institucional.
O projeto ganha particular relevância no contexto da cooperação internacional, nomeadamente entre Portugal e a China, podendo funcionar como um laboratório de inovação com aplicação comercial. A aposta passa por transformar projetos-piloto em soluções de mercado, criando escala e atraindo financiamento.
“Estas fontes de energia não competem entre si, reforçam-se mutuamente. Quando articuladas num quadro de cooperação internacional, tornam-se ambientalmente desejáveis, economicamente viáveis e financeiramente sustentáveis”, destacou o responsável.
Com cerca de 200 associados, o Fórum Oceano posiciona-se como plataforma agregadora desta estratégia, assumindo o compromisso de contribuir para uma economia do mar mais sustentável, inovadora e competitiva.
Num momento em que o setor marítimo enfrenta pressão crescente para reduzir emissões, Portugal procura assim afirmar-se como hub de transição energética, transformando o oceano não apenas num espaço de comércio e ligação entre continentes, mas também num eixo de sustentabilidade e inovação.