João Massano, bastonário da Ordem dos Advogados

Passou um ano da tomada de posse como bastonário da Ordem dos Advogados (OA). Que balanço faz? João Massano destaca o pendor humanista, a proximidade implementada e o restabelecimento de pontes com instituições. “Creio que isso já não existe e ficou comprovado na última sexta-feira [12 de junho], quando tivemos a sessão solene [de comemoração do centenário], em que o senhor Presidente da República abriu a sessão e a senhora ministra da Justiça encerrou.”

Relações normalizadas são a base para resolver algumas das questões que estão pendentes? “Em primeiro lugar – e por isso também foi uma das prioridades – nós não podemos achar que vivemos separados do resto do mundo, que vivemos sem o poder político.”

E tem a ambição de ver alteradas algumas das questões por resolver, como o estatuto [do advogado]? “Constituímos e vamos dar posse brevemente a uma comissão para o rever e para apresentar uma proposta que seja discutida pela classe.”

Apontou a digitalização como uma questão prioritária, nomeadamente na relação com o Estado. O que foi já feito? “Na interoperabilidade… conseguimos que a cédula dos advogados esteja na aplicação gov.pt.”

E há consciência do lado do Estado da necessidade desse avanço? “Acho que quer um quer outro serviço tem a consciência absoluta de que não vão conseguir resolver tudo sozinhos.”

Apontou a revolução tecnológica com a IA como o grande desafio que a classe enfrenta. Já se notam efeitos dessa evolução? “Há uma parte da classe que diz que nunca vai utilizar a IA porque não confia nela. Eu acho que não há como não a usar. A questão que aqui se levanta é em que termos é que isso se vai fazer.”

Receia um estrangulamento no acesso ao mercado? “Eu acho que um dos grandes problemas… é o desaparecimento ou o possível desaparecimento dos juniores.”

Os estágios remunerados, a IA, dificultam o acesso. Estamos num ponto que pode ser de inflexão para a classe? “O que nós temos defendido junto do Governo é no sentido de olhar para essa realidade.”

Apesar disto, o mercado português tem crescido. Mostra que há dinamismo. “Há mercado… as pessoas estão satisfeitas, querem entrar no mercado.”

Também temos visto a multiplicação de boutiques especializadas. “Que vão atrás do que estamos a falar, ou seja, de estabelecer ligações diretas e entrar em nichos.”

É um trabalho mais de consultoria, de ação prévia. “Exatamente. É a parte preventiva, que tem de ser vista até no apoio judiciário.”

Vamos para férias judiciais daqui a pouco. O que espera do próximo ciclo? “A minha grande ambição é que haja um equilíbrio na área do processo penal.”