O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o saldo orçamental de Portugal será nulo em 2026 e 2027, uma revisão em relação às projeções anteriores. A informação consta no relatório sobre a missão do Artigo IV, divulgado recentemente.
Segundo o FMI, a posição orçamental deverá estar amplamente equilibrada em 2026, com impacto estimado de cerca de 0,3% do PIB devido aos gastos relacionados com tempestades. Além disso, o Governo aplicou o desconto no ISP devido à subida dos preços na energia e há outras medidas previstas no Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), como novos cortes no IRS.
O FMI alerta que a postura expansionista “pode agravar as pressões inflacionistas” e considera que manter posições orçamentais amplamente equilibradas no médio prazo, como o Governo projeta, vai exigir medidas adicionais de compensação. Tendo em conta as pressões de despesa decorrentes do envelhecimento, os aumentos nos gastos com defesa para a meta da NATO de 3,5% do PIB até 2035 e o impacto das reduções de impostos, a equipa do FMI projeta défices crescentes a partir de 2028.
O Governo português, consultado nesta missão, disse concordar com muitas das recomendações do FMI, mas confia que orçamentos equilibrados podem ser alcançados no médio prazo sem medidas adicionais de poupança. O executivo também projeta um saldo nulo este ano, conforme atualização enviada a Bruxelas.