O mercado de trabalho em Portugal continua a apresentar indicadores positivos, com a população empregada a atingir um novo máximo histórico e a taxa de desemprego a recuar para 5,5%. No entanto, os dados mais recentes da Randstad Research revelam um sinal de alerta para os mais jovens, cujo desemprego aumentou 11,1% em maio face ao mês anterior.

Segundo a nota mensal da Randstad Research, baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e da Segurança Social, a população empregada alcançou os 5.366.600 trabalhadores, o valor mais elevado de sempre. A descida do desemprego foi impulsionada sobretudo pelo grupo dos adultos entre os 25 e os 74 anos, que registou uma redução de 6,2%, sendo também mais expressiva entre os homens (-4,9%) do que entre as mulheres (-0,5%).

Em sentido contrário, o desemprego entre os jovens dos 16 aos 24 anos aumentou 11,1% em relação a abril, correspondendo a mais 7.400 desempregados. Ainda assim, quando comparados com o mesmo período do ano anterior, todos os grupos etários registam uma diminuição do desemprego.

A análise destaca também uma contração da procura ativa de emprego. Em maio, o IEFP registou 416.487 pedidos de emprego, um dos valores mais baixos de sempre, refletindo uma maior retenção de talento e a criação de novos postos de trabalho. Em comparação com março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando os pedidos de emprego atingiram 611.958, verifica-se uma redução significativa.

Os dados do IEFP incluem não apenas pessoas desempregadas disponíveis para trabalhar, mas também trabalhadores à procura de melhores oportunidades profissionais, estudantes em busca do primeiro emprego e pessoas em situação de subemprego.

No que diz respeito às remunerações, o relatório revela que o salário médio dos trabalhadores por conta de outrem declarado à Segurança Social atingiu, em abril, os 1.610,41 euros, o que representa um crescimento homólogo de 4,5%.

As diferenças salariais entre regiões mantêm-se acentuadas. Lisboa continua a liderar com uma remuneração média de 1.875,31 euros, seguida por Setúbal, com 1.692,83 euros. No extremo oposto surgem Beja, com 1.340,59 euros, e Portalegre, com 1.346,63 euros. A diferença salarial entre Lisboa e Beja é de 534,72 euros.

Para Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, o atual contexto exige uma nova abordagem por parte das empresas. “Num cenário de menor pressão do lado da procura e com o emprego em níveis recorde, atrair e reter talento exige uma abordagem diferenciada. Investir numa marca empregadora forte já não é opcional, é imperativo. O foco das organizações deve estar na flexibilidade e na melhoria contínua das condições de trabalho para garantir a sustentabilidade das suas equipas”, afirma.