A Go Bravo assegurou hoje que atua “dentro da lei” em Portugal e manifestou total disponibilidade para colaborar com o Banco de Portugal, na sequência de notícias recentes sobre a atividade da empresa.

Num esclarecimento enviado ao Jornal Económico, a empresa sublinha que não concede crédito, não presta serviços de pagamento nem atua como intermediário de crédito, afirmando que a sua atividade consiste em apoiar consumidores em situação de sobre-endividamento na organização das suas finanças e na procura de soluções compatíveis com a sua capacidade de pagamento.

Segundo a Go Bravo, a renegociação de créditos junto de bancos e outros credores é realizada pela PT Bravo Debtech, entidade registada no Banco de Portugal como intermediário de crédito não vinculado, atuando em nome e representação dos clientes mediante autorização expressa. A empresa sustenta, por isso, que a Go Bravo Portugal “não realiza intermediação de crédito”.

“Quando atua como agente pagador, a Go Bravo limita-se a executar pagamentos expressamente autorizados pelo cliente, em nome e por conta deste, sempre dentro dos limites previstos no contrato e na lei”

A empresa sublinha que a Go Bravo apoia consumidores sobre-endividados a organizar a sua situação financeira, sem conceder crédito, prestar serviços de pagamento ou atuar como intermediário de crédito. “Em média, os nossos clientes destinam 70% dos seus rendimentos ao pagamento de créditos pessoais, o que reflete o elevado nível de esforço financeiro que enfrentam antes de recorrer à Go Bravo”, sublinha a empresa liderada por Carlos Alvarez.

Relativamente aos casos em que intervém como agente pagador, a empresa explica que se limita a executar pagamentos autorizados pelos clientes, em seu nome e por sua conta, ao abrigo de uma relação de mandato prevista na lei e nos termos do contrato celebrado entre as partes.

“O cliente autoriza a Go Bravo a executar pagamentos; os pagamentos são realizados em nome e por conta do cliente; os montantes apenas podem ser utilizados para os fins previstos no contrato. Esta atuação assenta numa relação de mandato, prevista nos artigos 1157.º e seguintes do Código Civil, através da qual o cliente confere à Go Bravo poderes para praticar determinados atos em seu nome”

No comunicado, a Go Bravo refere ainda que já renegociou, em Portugal, 4.966 dívidas, correspondentes a mais de 24,3 milhões de euros, acrescentando que 316 clientes liquidaram integralmente as suas dívidas e 2.333 conseguiram renegociar pelo menos um crédito. A empresa considera que estes resultados traduzem benefícios tanto para os consumidores como para os credores e para o sistema financeiro.

A empresa acrescenta que integra um grupo internacional presente em seis países e com 16 anos de atividade, indicando que o grupo já apoiou mais de meio milhão de pessoas em situação de sobre-endividamento.

“A empresa integra o Grupo Bravo, um grupo internacional com 16 anos de experiência, presente em Portugal, Espanha, Itália, México, Colômbia e Brasil. Ao longo da sua trajetória, o grupo já apoiou mais de meio milhão de pessoas em situação de sobre-endividamento e gere atualmente uma carteira superior a mil milhões de euros em dívida”

Quanto à comunicação recentemente divulgada pelo Banco de Portugal, a Go Bravo afirma estar a colaborar com o supervisor, garantindo que tem disponibilizado toda a informação e documentação solicitadas e mantendo “total disponibilidade” para explicar o seu modelo de atuação e a respetiva estrutura contratual.

No passado dia 22 de junho, o Banco de Portugal anunciou ao mercado que a entidade Go Bravo Portugal Unipessoal, Lda. não está habilitada a prestar serviços de pagamento.

Segundo uma investigação da jornalista Ana Leal, da revista Sábado e do canal Now, a Go Bravo, empresa especializada em renegociação de dívidas, liderada por Carlos Alvarez, é acusada de burlar pessoas endividadas. A reportagem relata que o dinheiro entregue pelos clientes fica retido na empresa durante meses e alguns credores nunca chegam a ser contactados e que há famílias que procuraram ajuda sem ainda terem prestações em atraso e que acabaram com o ordenado penhorado.

A empresa reitera que a sua atividade assenta em princípios de cumprimento da lei, transparência, responsabilidade e proteção dos consumidores, reafirmando o compromisso de continuar a colaborar com as autoridades competentes.