Os Estados Unidos (EUA) restabeleceram hoje as sanções econômicas sobre o petróleo iraniano, afirmando que respondem assim às ações “totalmente inaceitáveis” do Irã no Estreito de Ormuz, onde vários navios foram atacados.
Três navios foram atingidos em 24 horas nesta passagem marítima, informou a agência de segurança marítima britânica UKMTO, com o Catar e a Arábia Saudita a imputarem dois desses ataques ao Irã, apesar do cessar-fogo entre Teerã e Washington.
O Irã e os EUA assinaram em 17 de junho um protocolo de acordo para acabar com a guerra iniciada em 28 de fevereiro com um ataque israelo-norte-americano a Teerã. O texto prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento das sanções dos EUA ao petróleo iraniano.
O Departamento do Tesouro dos EUA interditou “novas transações” de hidrocarbonetos iranianos a partir de terça-feira. A Arábia Saudita condenou “o ataque pela República Islâmica do Irã do petroleiro saudita Wedyan” e do “metaneiro catariano Al-Rakayyat”, denunciando “um atentado à segurança da navegação internacional e à segurança dos abastecimentos energéticos mundiais”.
Sem os mencionar, a UKMTO assinalou na terça-feira dois outros incidentes: um petroleiro atingido por um projétil não identificado e um navio-cisterna atingido por um drone de origem desconhecida. Nestes casos, não houve registro de pessoas feridas, nem de estragos ambientais.
Depois do protocolo assinado, a navegação retomou no Estreito de Ormuz, apesar de alguns incidentes. No final de junho, os EUA acusaram o Irã de atacar dois navios e, na sequência, bombardearam o país, após o que os dois se puseram de acordo para parar com as hostilidades.
O Irã tem repetido, apesar da oposição dos EUA, que não vai haver regresso à situação anterior à guerra, quando a passagem pelo Estreito era gratuita, e ameaça os navios que procurem contornar o único itinerário que autorizou, ao longo das suas costas.
Esta subida das tensões ocorre quando o Irã organiza desde sábado honras fúnebres, de seis dias, para o seu líder, Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques israelo-norte-americanos, cujo corpo acaba de chegar ao Iraque, para procissões em Najaf e Karbala, onde estão os santuários mais venerados pelos muçulmanos xiitas.