O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, exigiu hoje explicações ao primeiro-ministro Luís Montenegro sobre os problemas nos exames nacionais, considerando que o governante “está a trabalhar para ser um dos piores primeiros-ministros desde o 25 de Abril”. Carneiro não afastou a possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso.
Durante uma intervenção em Vieira do Minho, no distrito de Braga, à margem do XXII Congresso Federativo do partido, Carneiro denunciou falhas graves no processo de classificação das provas. “Há professores de Matemática que recebem provas de Português, professores de Português que recebem provas de Matemática. E ontem mesmo tivemos conhecimento de que foram dadas instruções aos classificadores para que, mesmo que as provas não estejam completas, elas sejam classificadas. Isto significa uma fraude ao processo de avaliação”, afirmou.
O líder socialista também criticou a decisão do PSD de pagar horas extraordinárias aos professores envolvidos na correção, classificando-a como insuficiente. “Os professores não estão à venda. Como é que o primeiro-ministro vai garantir a fiabilidade e a confiabilidade deste processo?”, questionou.
O processo de correção dos exames nacionais tem sido marcado por polémicas, incluindo falhas no sistema informático que levaram o Governo a adiar as datas de divulgação das notas e da segunda fase. O Governo prometeu apresentar as classificações no dia 17 de julho, mas Carneiro alerta que muitos problemas ficarão por resolver, como a viabilidade das candidaturas ao ensino superior.
“Mesmo que no dia 17 sejam apresentadas as classificações, do que estamos a falar é da possibilidade muito forte de haver milhares de alunos a pedir revisão de provas. Agora imaginem que pedem a revisão das provas e não aparecem as folhas todas dos exames. Têm consciência da gravidade do que se está aqui a passar?”, questionou.
Carneiro acusou ainda Montenegro de insensibilidade, lembrando que o primeiro-ministro esteve no Mundial de futebol enquanto o país enfrentava uma situação de alerta e que respondeu a esta crise num festival de música. “Mostra tudo sobre a insensibilidade de alguém que, do meu ponto de vista, está a trabalhar para ser um dos piores primeiros-ministros desde o 25 de Abril até hoje”, concluiu.