Doze estados norte-americanos com governação democrata moveram uma ação judicial, na segunda-feira, para travar a aquisição da Warner Bros Discovery pela Paramount, de acordo com o New York Times.

Os estados, incluindo Califórnia, Nova Iorque, Washington, Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jérsia, Novo México e Oregon, apresentaram a queixa no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia.
Eles alegam que o negócio prejudicaria os cinemas e a distribuição de filmes, bem como a distribuição de canais a cabo. “A fusão acabará com esta concorrência de forma permanente. O resultado provável são preços mais elevados, qualidade inferior e menos conteúdo para filmes”, disseram os estados ao New York Times.
Rob Benta, procurador-geral da Califórnia, que lidera o processo, afirmou que o negócio prejudicaria “os cinemas, os distribuidores de televisão por cabo e, em última instância, o público em todos os sofás e poltronas de cinema nos Estados Unidos”. Ele acrescentou que a fusão resultaria em preços mais elevados, menos filmes e programas de TV e pior qualidade.
O processo alega violação da Lei Clayton de 1914, que proíbe fusões que diminuam a concorrência ou criem monopólios. Os estados argumentam que, se a fusão avançar, quatro empresas (Paramount, Disney, Universal e Sony) controlariam 86% do mercado de filmes de grande distribuição e mais de 90% dos filmes com maior receita de bilheteira.
Departamento de Justiça dá luz verde ao negócio
Em contrapartida, a divisão concorrencial do Departamento de Justiça norte-americano (DOJ) deu luz verde à aquisição em 16 de junho. “Concluímos que a transação não é suscetível de resultar em prejuízo para a concorrência”, afirmou o DOJ.
A Paramount Skydance venceu a corrida à aquisição da Warner Bros, pagando 110 mil milhões de dólares (95,1 milhões de euros) em fevereiro, superando a oferta da Netflix. A Netflix inicialmente tinha um acordo fechado por 82,7 mil milhões de dólares, mas a Paramount melhorou a oferta após uma proposta hostil.
Uma porta-voz da Paramount, Melissa Zukerman, defendeu o negócio: “O processo está errado tanto nos factos como na lei. Continuaremos a lutar contra qualquer tentativa de sabotar um acordo que fortaleça a concorrência e expanda as oportunidades.” A Paramount também afirmou que a ação “distorce a legislação da concorrência” e que o acordo criaria um “concorrente mais forte contra plataformas de streaming e tecnologia dominantes”.