A Ministra do Ambiente e da Ação Climática, Maria da Graça Carvalho, responsabilizou esta segunda-feira a Câmara Municipal de Almada e os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) pela crise hídrica que afeta o concelho. Em declarações à Renascença, a governante afirmou que as perdas de água na rede de abastecimento atingem os 35%, um valor considerado muito elevado e que agrava a situação de escassez na região.

“As perdas de água são inaceitáveis. Estamos a falar de 35% de água que se perde antes de chegar às torneiras dos cidadãos. Isso é uma responsabilidade direta da autarquia e dos SMAS”, afirmou a ministra. A governante criticou ainda o “mau relacionamento” institucional entre os municípios de Almada e Seixal, que, segundo ela, tem dificultado a implementação de medidas conjuntas para resolver o problema.

A crise da água na região tem vindo a intensificar-se nos últimos meses, com vários bairros a registarem cortes no abastecimento e restrições ao consumo. A ministra sublinhou que o Governo está a trabalhar numa solução estrutural para a Península de Setúbal, que inclui a construção de novas infraestruturas e a melhoria da eficiência das redes existentes.

“Não podemos continuar a ter situações como a de Almada, onde a água se perde por falta de manutenção e investimento. O Governo está empenhado em encontrar uma solução duradoura, mas é preciso que todos os intervenientes assumam as suas responsabilidades”, acrescentou Maria da Graça Carvalho.

A autarquia de Almada já reagiu às declarações, defendendo que tem feito investimentos significativos na modernização da rede, mas reconhecendo que a situação é complexa e que depende de fundos comunitários e de uma articulação mais eficaz com o Governo e com o município vizinho do Seixal. A ministra garantiu que o Executivo apresentará um plano de ação detalhado nas próximas semanas.