Barcelona anunciou um limite máximo de 16 milhões de turistas por ano, numa tentativa de combater o excesso de turismo (overtourism) e preservar a qualidade de vida dos seus residentes. A medida, revelada pelo conselheiro municipal de Turismo, José Antonio Donaire, ao The New York Times em julho de 2026, estabelece como teto o número de visitantes registado em 2025, cerca de 15,7 milhões.

De acordo com Donaire, a mensagem da cidade é clara: ‘nem mais um turista’. O objetivo não é eliminar o turismo, mas estabilizar o volume num patamar sustentável. A decisão surge após anos de pressão sobre a infraestrutura urbana, com impacto no aumento dos preços da habitação, sobrecarga dos transportes públicos e descaracterização de bairros históricos.

Medidas progressivas

Desde 2017, Barcelona implementa ações como a limitação de novos hotéis, a criação de uma taxa turística e a proibição do alojamento local prevista para 2028. A estratégia agora visa alterar o perfil dos visitantes, passando de um predomínio do turismo de lazer (atualmente dois terços do total) para uma divisão equilibrada entre turismo de negócios, cultural e de lazer, cada um com um terço.

Para isso, a promoção internacional foi redirecionada para experiências culturais e eventos, e o slogan oficial mudou de ‘Visit Barcelona’ para ‘This Is Barcelona’, reforçando a identidade local.

Medidas controversas

Entre as ações mais polêmicas está a intenção de eliminar escalas curtas de cruzeiros, aumentando taxas para tornar essas paragens economicamente inviáveis. A cidade também quer recuperar espaços emblemáticos como o Mercado da Boqueria, atualmente dominado por produtos turísticos, incentivando comerciantes a voltar a vender produtos essenciais. A requalificação de áreas como Las Ramblas visa reduzir negócios exclusivos para turistas e incentivar o retorno de moradores.

Turismo como motor económico

Apesar das restrições, o turismo representa cerca de 13% da economia local. Donaire defende que ‘o direito dos cidadãos a viver na cidade está acima de tudo’, e a taxa turística ajudará a financiar serviços públicos e iniciativas de equilíbrio urbano. Barcelona insere-se numa tendência europeia de gestão do overtourism, mas a definição explícita de um limite máximo coloca a capital catalã na linha da frente de um novo modelo turístico, mais restritivo e focado na sustentabilidade.