O mercado de taxas deu, em julho, um sinal invulgar: em vez de se mover em bloco, dividiu-se por prazos. A EURIBOR a três meses subiu para o valor mais alto desde março de 2025, enquanto os prazos a seis e a doze meses, os mais usados no crédito à habitação, recuaram.

A divergência tem leitura. O prazo mais curto reflete de forma mais imediata as expectativas sobre a próxima decisão do Banco Central Europeu, que volta a reunir esta semana; os prazos mais longos incorporam já uma expectativa de estabilização, ou mesmo de descida, mais adiante.

Para as famílias, o que conta é o prazo a que o seu crédito está indexado. Segundo a Análise de Mercado de Crédito Habitação do ComparaJá, a esmagadora maioria dos contratos está indexada à EURIBOR a seis meses, pelo que é esse o prazo que determina a próxima revisão da prestação para a maior parte dos mutuários.

A consequência prática é que, apesar do ruído em torno do prazo a três meses, muitos contratos deverão sentir nas próximas revisões um movimento mais contido, em linha com o alívio dos prazos mais longos. É um lembrete de que o titular deve saber a que EURIBOR está preso antes de reagir a manchetes.

A confirmação, ou não, desta tendência dependerá da reunião do banco central e das leituras de inflação das próximas semanas. Até lá, a divergência entre prazos é o retrato de um mercado que já não aposta num só sentido.