O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, considerou esta quinta-feira que é “saudável” que a revisão constitucional em curso inclua os partidos de esquerda, nomeadamente o PS. Em declarações aos jornalistas, Aguiar-Branco rejeitou ter sido “conivente” com o PSD e o Chega, que concordaram em adiar o processo, e disse que a esquerda fez uma “tempestade num copo de água”.
Questionado se o PS deve ser chamado a participar nas negociações, o presidente do Parlamento lembrou que quanto “maior” for a “abrangência” da revisão, melhor. “Quanto mais amplo for o consenso, mais legitimidade terá o texto final”, sublinhou.
Aguiar-Branco falava à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa, onde comentou a polémica em torno do calendário dos trabalhos da comissão eventual para a revisão constitucional. O presidente da AR garantiu que a decisão de adiar a discussão foi tomada em articulação com os grupos parlamentares, e não por imposição sua.
O processo de revisão constitucional arrancou em junho, mas a primeira reunião da comissão foi adiada por acordo entre PSD e Chega, o que gerou críticas da esquerda. Aguiar-Branco defendeu que “não há qualquer drama” e que o importante é que o trabalho seja feito “com serenidade e com o maior consenso possível”.