Os consumidores europeus mantêm em 2026 um comportamento de contenção nas despesas, com o pessimismo econômico a atingir o nível mais alto em três anos, segundo um estudo divulgado esta segunda-feira, 20 de julho, pela Boston Consulting Group (BCG).

De acordo com o inquérito, que abrangeu mais de 20 mil consumidores em 11 países europeus, 56% dos inquiridos dizem-se pessimistas quanto à economia do seu país, face a 54% em 2025 e 49% em 2024. Mais de metade (53%) afirma estar preocupada com a sua situação financeira do dia a dia, contra 40% há dois anos, e seis em cada dez consumidores temem não ter recursos suficientes para a reforma.

O estudo, intitulado “European Consumers Are Still Cutting Back”, mostra ainda que, mesmo perante um aumento hipotético de rendimento entre 10% e 15%, quase metade dos consumidores optaria por poupar em vez de gastar mais, sinal de que a recuperação do consumo não deverá ser automática.

Das 12 categorias de despesa analisadas, apenas alimentação e cuidados com animais de estimação registaram crescimento líquido nos últimos seis meses, impulsionado sobretudo pela subida de preços e não por maior volume de compras. Moda, bebidas alcoólicas e snacks embalados foram as categorias mais penalizadas.

O preço tornou-se o principal critério de compra: 63% dos consumidores dizem comprar apenas em promoção ou procurar ativamente descontos, e 62% estão dispostos a mudar de marca por um preço mais competitivo, uma proporção que sobe a 70% em categorias como mobiliário e moda. O mercado de produtos em segunda mão continua a crescer, com 47% dos consumidores europeus a comprarem usados, motivados sobretudo pelo preço (46%) e, em muito menor medida, pela sustentabilidade (17%).

O estudo identifica ainda diferenças geracionais: o saldo líquido de despesa esperado nos próximos seis meses é de -13 pontos entre a Geração X e os Baby Boomers, contra -2 pontos entre a Geração Z e os Millennials, um fosso que se alargou face a 2025.

Em contraciclo, a saúde e o bem-estar surgem como área de resiliência, considerada extremamente importante por dois terços dos consumidores. A utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Gemini ou Copilot, para pesquisa de produtos quadruplicou desde 2024, sendo já usada regularmente por 8% dos consumidores europeus.

“A inflação abranda, mas a confiança não acompanha. Os consumidores europeus mantêm-se cautelosos e seletivos”, afirmou José Koch Ferreira, Managing Director & Partner da BCG em Lisboa, citado no comunicado.

A BCG recomenda às empresas quatro prioridades: reforçar a proposta de valor através de preços competitivos, adaptar a captação de clientes aos hábitos das gerações mais jovens, capturar quota no segmento de saúde e bem-estar, e investir nos canais digitais de descoberta de produtos.