A DStelecom, maior operadora de telecomunicações por grosso em Portugal, está no centro de uma disputa entre dois dos maiores nomes do investimento internacional. A KKR & Co. e a Vauban Infrastructure Partners são os finalistas na corrida pela aquisição da maioria do capital detido pela Cube Infrastructure Managers, segundo fontes próximas do processo ouvidas pela Bloomberg.
Recorde-se que o Jornal Económico, que avançou em primeira-mão com o processo de venda, já tinha noticiado que o fundo Vauban Infrastructure estava a fazer uma due-diligence para avançar com propostas vinculativas para a compra da maior operadora grossista de telecomunicações em Portugal, focada na construção e gestão de redes de fibra ótica de “acesso aberto” (FTTH), especialmente em zonas com menor densidade populacional.
A Cube Infrastructure, gestora do Cube Infrastructure Fund II, colocou à venda os seus 54% de participação na DStelecom no início do ano, num processo restrito que visa concluir a transação até ao Verão de 2026. Os restantes 46% pertencem ao DST Group, conglomerado sediado no norte de Portugal controlado pela família Gonçalves Teixeira, cuja posição futura ainda não está definida — poderá acompanhar a saída ou manter-se como acionista para apoiar a expansão da rede.
A operação em questão avalia a totalidade da DStelecom entre os 300 e os 400 milhões de euros, um valor que reflete o potencial de crescimento da infraestrutura de fibra ótica em Portugal, segundo a Bloomberg.
A empresa opera uma rede FTTH (fiber-to-the-home) que cobre cerca de um milhão de habitações em todo o território nacional, disponibilizando acesso a operadores de retalho como a MEO (Altice Portugal), a NOS e a Vodafone, sem competir diretamente com o consumidor final.
O fundo de infraestruturas da Vauban Infrastructure Partners — uma sociedade gestora de fundos de investimento francesa, subsidiária do grupo Natixis, banco de investimento do Grupo BPCE focado no investimento de longo prazo em infraestruturas essenciais e sustentáveis.
As negociações entre a Cube Infrastructure e os potenciais compradores encontram-se em fase avançada, mas fontes próximas do processo sublinham que não há garantias de que resultem num acordo definitivo. Representantes da DStelecom, da Cube Infrastructure, da KKR e da Vauban recusaram-se a comentar o assunto à Bloomberg.
A DStelecom representa um ativo estratégico no sector das telecomunicações portuguesas. Enquanto operadora por grosso, a sua função é essencial para a expansão da conectividade em fibra ótica, um sector que continua a atrair investimento significativo à escala europeia. A eventual entrada da KKR ou da Vauban no capital da empresa poderá acelerar os planos de expansão da rede, beneficiando tanto os operadores de retalho como os consumidores finais.
A Vauban Infrastructure Partners, gestora francesa especializada em infraestruturas, tem vindo a reforçar a sua presença no mercado europeu de telecomunicações, o que torna a DStelecom um alvo natural para a sua estratégia de investimento.
A competição entre a Vauban e a KKR — um dos maiores fundos de private equity do mundo, com uma capitalização de mercado superior a 94 mil milhões de dólares — marcará o processo de venda até à sua conclusão.
Dupla aposta de KKR em Portugal
A candidatura da KKR à DStelecom não é o único movimento do fundo norte-americano no mercado português. A 14 de julho, a Bloomberg noticiou que a KKR também apresentou uma oferta não vinculativa pela Logoplaste, o fabricante de embalagens português cujo processo de venda é liderado pelo fundo de pensões canadiano Ontario Teachers’ Pension Plan Board. O interesse do KKR na Logoplaste também já tinha sido noticiado pelo Jornal Económico. A Logoplaste, que gera cerca de mil milhões de euros em receitas anuais e opera mais de 60 fábricas em mais de 15 países, está avaliada em mais de 1,7 mil milhões de euros.
A dupla ofensiva da KKR ilustra o crescente apetite dos investidores internacionais, nomeadamente fundos de private equity, pelo mercado português, particularmente por ativos de infraestruturas e empresas familiares consolidadas.
Os investidores visam capitalizar na estabilidade económica e no potencial de crescimento do país.