As relações comerciais entre Portugal e o Canadá têm registado um crescimento robusto nos últimos anos, impulsionadas pela aplicação do Acordo Económico e Comercial Global (CETA) entre a União Europeia e o Canadá. O volume de trocas comerciais bilaterais de mercadorias aproximou-se em 2025 dos dois mil milhões de euros – com Portugal a conseguir um saldo positivo da balança comercial entre ambos. Foi neste quadro que a AEP – Associação Empresarial de Portugal levou até ao Canadá uma missão empresarial multissetorial, reunindo dez empresas portuguesas que procuraram consolidar a sua presença internacional e identificar novas oportunidades de negócio num dos mercados mais desenvolvidos e competitivos do mundo.

A missão, que decorreu em Montreal e Toronto até à passada sexta-feira, integrava um programa intensivo de reuniões B2B com potenciais clientes, distribuidores, importadores e outros parceiros locais, previamente identificados e selecionados de acordo com o perfil e os objetivos de cada empresa participante, referia a organização em nota sobre o assunto. O objetivo era criar oportunidades concretas de negócio e facilitar a entrada ou consolidação das empresas nacionais no mercado canadiano.

“O Canadá é um dos países mais desenvolvidos do mundo. É estável e aberto ao comércio internacional, oferecendo às empresas oportunidades estratégicas. Beneficiando do Acordo Económico e Comercial Global entre a União Europeia e o Canadá (CETA), as empresas podem explorar as vantagens de um mercado diversificado, rico e dinâmico. A entrada em vigor do CETA) veio reforçar a atratividade deste mercado para as empresas europeias, ao reduzir barreiras comerciais, facilitar o acesso aos mercados e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento das relações económicas bilaterais, explicou o presidente do Conselho de Administração da AEP, Luís Miguel Ribeiro, citado pelo comunicado.

Foi a 11.ª missão empresarial promovida pela AEP no Canadá, um mercado onde “a associação desenvolve uma estratégia continuada de apoio à internacionalização das empresas portuguesas”. Desde a primeira missão, refere a organização, realizada em 2010, a AEP concretizou já 12 ações naquele país (dez missões empresariais e duas participações em feiras internacionais), reforçando a presença das empresas nacionais junto de um mercado reconhecido pela sua estabilidade económica, elevado poder de compra e abertura ao investimento estrangeiro.

“Décima maior economia mundial e membro do G7, o Canadá distingue-se por uma economia robusta, competitiva e fortemente integrada nas cadeias globais de comércio. Figura entre os países mais bem posicionados nos principais indicadores internacionais de competitividade e facilidade de fazer negócios, apresentando um mercado interno sofisticado, com elevado rendimento disponível e um consumo privado sustentado”.

 

Relações fortes

Recorde-se que, recentemente, o secretário parlamentar da Indústria do Canadá, Carlos Leitão, defendeu, em Toronto, o reforço das relações económicas entre Portugal e o Canadá, com destaque para os setores da defesa e da indústria automóvel. Num almoço promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Canadá, que reuniu em abril empresários, diplomatas e representantes da comunidade luso-canadiana, Leitão (nascido em Peniche e imigrado em 1975) considerou que o momento atual abre espaço a novas parcerias estratégicas.

“Há oportunidades importantes para aumentar o comércio entre Portugal e o Canadá”, afirmou, em declarações à Lusa. O governante destacou que o Canadá está a desenvolver uma estratégia industrial de defesa, com investimentos que poderão envolver empresas de países aliados, incluindo da União Europeia. Nesse quadro, defendeu que empresas portuguesas podem reforçar a sua presença em áreas como a produção industrial e a cooperação tecnológica. A indústria automóvel é outro dos setores com potencial de crescimento conjunto, sobretudo ao nível das cadeias de abastecimento – nomeadamente no que tem a ver com veículos elétricos.

No mesmoo encontro, Victor Severino, diretor da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Canadá, destacou a importância de iniciativas que promovam o contacto direto entre empresários. E sublinhou, igualmente citado pela Lusa, que a organização pretende aumentar o comércio bilateral e incentivar empresas a explorarem oportunidades em ambos os mercados. Segundo Severino, o acordo de livre comércio CETA continua a ser um instrumento central para facilitar o comércio e reduzir barreiras entre o Canadá e a União Europeia.

A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, sublinhou que Portugal tem uma indústria automóvel fortemente exportadora e integrada nas cadeias globais de produção. A diplomata destacou ainda, segundo a Lusa, que áreas como a “descarbonização, digitalização e defesa oferecem potencial para aprofundar a cooperação entre os dois países”.

O mercado canadiano consome bens industriais de alto valor acrescentado e produtos de consumo tradicionais portugueses: indústria farmacêutica e química, componentes químicos e medicamentos, componentes automóveis e moldes, vinhos de alta qualidade, vestuário, calçado e têxteis-lar. Mármores, granitos e cerâmica fazem também parte do comércio para o Canadá. No sentido contrário, o Canadá exporta para Portugal essencialmente recursos naturais e tecnologia pesada: aeronaves e componentes, produtos agrícolas (cereais, sementes oleaginosas e leguminosas), combustíveis e minerais.

Antes da aplicação do Acordo CETA, o comércio de mercadorias entre os dois países situava-se abaixo dos 850 milhões de euros (dados de 2017). A eliminação progressiva de quase 99% das barreiras alfandegárias permitiu duplicar e consolidar estes fluxos comerciais.