Os operacionais portugueses mobilizados para o combate aos incêndios em Ávila, em Espanha, estão a trabalhar ‘non-stop’, mas as condições “não são animadoras”, disse este domingo o comandante David Lobato, referindo que os meios disponíveis não conseguem extinguir estes fogos.
“Os meios que temos no terreno não têm a capacidade de extinguir esse incêndio, por mais que aviões que lá colocamos não chegam, a água não chega ao solo devido à energia que é libertada, portanto são incêndios que têm de ser geridos, não têm de ser apagados numa primeira fase, têm de ser geridos, e sabermos quando é que temos a capacidade e a janela de oportunidade para o extinguir”, afirmou.
O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, está a chefiar o grupo de operacionais portugueses mobilizados para o combate aos incêndios em Ávila.
No sábado, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) anunciou que iria enviar uma Força Operacional Conjunta (FOCON), com 128 operacionais provenientes da estrutura de Comando e da Força Especial de Proteção Civil da ANEPC, dos corpos de bombeiros da sub-região das Beiras e Serra da Estrela e da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR.
Os operacionais partiriam da Guarda no sábado para ajudar no combate aos incêndios rurais na província de Ávila, em Espanha.
Em declarações à agência Lusa, falando a partir de Ávila, com o som de fundo dos helicópteros de combate aos incêndios, o comandante David Lobato disse que o grupo de operacionais portugueses chegou a esta província espanhola por volta das 22:30 de sábado, com um total de 134 elementos, porque houve um reforço da equipa.
“A nossa base de operações está estabelecida efetivamente em Ávila, na cidade de Ávila, e estamos a trabalhar também na província de Ávila, um pouco mais a sul, já quase aqui na fronteira com a província de Madrid”, adiantou o responsável, referindo que os operacionais portugueses já estão a trabalhar no combate aos fogos e, neste momento, a força dividida está dividida, com metade a laborar e outra metade a descansar, “para o trabalho ser efetivo durante 24 horas, portanto ‘non-stop’”.
Quanto ao cenário que se vive em Ávila, David Lobato disse que “é uma situação complicada”, no entanto “não é muito diferente” dos incêndios registados em Portugal.
“Estamos a falar de um incêndio grande, com quase 50 mil hectares ardidos já, com populações e povoações também no meio daquilo que é o próprio incêndio, portanto as autoridades espanholas, e muito bem, fizeram tudo aquilo que foi a evacuação preventiva”, adiantou o chefe da FOCON, referindo que os operacionais portugueses estão, neste momento, a assegurar a proteção a pessoas, bens e animais, no âmbito do combate aos fogos.
Uma das missões que as autoridades espanholas pediram à equipa portuguesa foi para que o incêndio não passasse a estrada 501, objetivo que, para já, está a ser concretizado, referiu o responsável da FOCON.
David Lobato confirmou que se veem “algumas habitações destruídas pelas chamas”, adiantando que os incêndios lavram sobretudo em zona florestal e destacou as evacuações preventivas de povoações: “É lógico que as pessoas estão sempre angustiadas, não sabem quando regressarem como é que vão encontrar as suas casas, essa angústia existe sempre nas pessoas, mas estão devidamente seguras em abrigos próprios.”
Sobre as condições de combate aos incêndios, o comandante reconheceu que a noite de sábado para domingo foi “mais calma”, devido ao aumento da humidade, mas ressalvou que “as condições meteorológicas para os próximos dias não são animadoras”, em que se prevê aumento da temperatura, baixa humidade e vento.
Esperando uma janela de oportunidade para extinguir estes fogos, David Lobato reforçou que agora é preciso ir gerindo a situação “aos poucos e poucos”, sem previsão de quando é que a missão da FOCON terminará, sendo que a informação que tem é para permanecer enquanto as autoridades espanholas considerarem que precisam desta ajuda.
“Vamos aguardar que também tenhamos aqui um pouquinho de sorte e do trabalho todo que temos vindo a desenvolver, todos em conjunto, que se consiga resolver a situação, mas não será com certeza amanhã [segunda-feira]”, perspetivou.
Quanto ao agradecimento público do primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, à força especial enviada por Portugal, o chefe da FOCON recebeu esse louvor “com agrado”, realçando que quando os portugueses têm necessidade também “os irmãos espanhóis” se prontificam para ajudar.
Espanha declarou a situação emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo por causa dos fogos florestais, que já levaram a confinar ou a retirar de casa mais de 90 mil pessoas desde quinta-feira.
Além destes fogos em Ávila, Madrid e Toledo – que estão a ser combatidos como se fossem um só, por estarem em territórios vizinhos -, as autoridades espanholas estão a alertar para a evolução nas últimas horas de um incêndio em Castellón, na região de Valência, no leste do país, que já levou a retirar de casa ou a confinar 15.000 pessoas.