O Irão apresentou aos Estados Unidos um conjunto de seis condições para que o Estreito de Ormuz seja reaberto, num momento em que as negociações entre Teerão e Omã sobre a gestão do tráfego na região são consideradas “positivas” e avançadas. A exigência chega num contexto de pressão política para o presidente norte-americano, Donald Trump, a poucos meses das eleições intercalares de novembro.

Em comunicado divulgado pela emissora estatal iraniana IRIB, o ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão e atual assessor do Líder Supremo, Mohammad Bagher Zolghadr, enumerou as condições: o fim de ameaças e insultos a valores sagrados, a cessação de guerras e agressões contra o Irão e seus aliados no Líbano, Palestina, Iémen e Iraque, o levantamento do bloqueio naval e a retirada das forças militares em torno do território iraniano, o pagamento de indemnizações pelos danos de guerra, o levantamento de sanções “cruéis e ilegais” e a libertação incondicional de bens iranianos congelados.

Analistas apontam que estas condições não são novas e refletem os termos do memorando de entendimento assinado em junho, sugerindo que Teerão procura regressar ao acordo original. Trump, porém, rejeitou categoricamente as exigências, recusou indemnizações e inverteu a cobrança, exigindo pagamentos do Irão. O presidente norte-americano deu a Teerão uma “última oportunidade” para assinar um acordo, ameaçando com a manutenção do bloqueio naval e punições futuras.

A resposta negativa teve impacto imediato no mercado petrolífero. O preço do barril de Brent subiu cerca de 3%, fixando-se entre 85 e 86 dólares, ultrapassando depois a barreira dos 87 dólares, invertendo a tendência de queda da semana anterior. A incerteza geopolítica e as dúvidas sobre um acordo diplomático alimentaram a volatilidade.