A Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou recomendações dirigidas à população e aos empregadores para uma observação segura do eclipse total do sol, que ocorrerá nesta quarta-feira, 12 de agosto. O objetivo é prevenir lesões oculares e reduzir o risco de acidentes associados ao fenómeno astronómico.

As orientações constam de dois guias publicados pela DGS, tendo em conta que o eclipse solar pode “ter impacto na saúde e na segurança da população se não for observado de forma segura, aumentando a probabilidade de acidentes e contribuindo para o aparecimento de lesões, sobretudo ao nível da visão”.

“O eclipse total do Sol é um momento único e raro, que pode ser vivido sem impacto na saúde. Todas as potenciais consequências do eclipse total do Sol são evitáveis com uma adequada prevenção”, salienta a autoridade de saúde.

O eclipse terá uma duração aproximada de duas horas, com início previsto para as 18:33 e término às 20:23. A máxima ocultação do Sol ocorrerá às 19:30, com uma duração inferior a meio minuto. A DGS alerta que nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada, e que óculos de sol comuns, radiografias, vidros fumados, lentes ou outros materiais improvisados não oferecem proteção suficiente, pois não filtram toda a radiação nociva.

A observação deve ser feita exclusivamente com óculos certificados para eclipse solar, em conformidade com a norma ISO 12312-2 e com marcação CE. A DGS recomenda cuidados especiais com as crianças: bebés e crianças pequenas não devem olhar diretamente para o Sol, mesmo com óculos de eclipse. Crianças que utilizem óculos certificados devem ser sempre acompanhadas por um adulto, que confirme a correta utilização durante toda a observação.

Sempre que possível, devem ser privilegiadas formas indiretas e seguras de observar o eclipse, como transmissões em direto ou projeções da imagem do Sol.

Para os empregadores, a DGS recomenda que, através dos Serviços de Segurança e Saúde do Trabalho ou Serviços de Saúde Ocupacional, informem os trabalhadores sobre o eclipse solar, os seus potenciais efeitos na saúde e as medidas preventivas. Devem ser adotadas medidas para reduzir o risco de acidentes relacionados com distrações, alterações passageiras da visão (nomeadamente durante a condução) e comportamentos de risco associados à procura de locais de observação.

“Instintivamente, o ser humano não olha diretamente para o Sol devido ao extremo desconforto ocular que causa. No entanto, durante um eclipse, com a redução da intensidade da luz solar pela ocultação parcial pela Lua, torna-se suportável olhar para o Sol durante o tempo suficiente para causar danos na retina, o que é estimulado pela curiosidade”, explica a DGS. O tempo de exposição necessário para causar danos na retina é de apenas alguns segundos, e a cegueira pode ocorrer em situações extremas e ser irreversível. A perda de visão pode não ser imediatamente aparente.

Além dos riscos físicos, o fenómeno pode ter impacto psicológico, associado a sentimentos de surpresa, ansiedade ou medo perante alterações no ambiente, como redução da luminosidade, descida de temperatura, alteração do vento, redução do ruído ambiental, fecho de flores e comportamentos incomuns de animais.

Caso surjam sintomas como visão turva ou distorcida, manchas ou pontos negros no campo visual, alteração da perceção das cores, diminuição ou perda súbita da visão ou dor ocular intensa, a DGS recomenda contactar imediatamente a Linha SNS 24 (808 24 24 24).