O ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, afirmou nesta quarta-feira, 12 de agosto, em Luanda, que o país deseja a presença de empresários brasileiros, mas não vai implorar para que venham. A declaração foi feita durante o Fórum do Agronegócio Angola/Brasil.

“Compreendam, já não estou mais disponível para pôr o meu joelho [no chão] a pedir: venham. Se não quiserem vir, não precisam de vir, mas também não precisam de estar aqui todo o tempo a debitar inconvenientes, insucessos, incapacidades. Já chega”, disse o ministro.

Isaac dos Anjos destacou que Angola disponibilizou 800 mil hectares de terra para empresários brasileiros, com infraestrutura e financiamento estruturado, incluindo participação do BNDES (45%), B-B-PROEX (23%), BDA (5%), FDESA (17%) e produtores (10%).

“Água não falta, luz não falta, projetos não faltam”, afirmou, mas reconheceu que a iniciativa não avançou. “Se não anda, tem de procurar outros parceiros.”

O ministro também pediu que o Brasil não se sinta prejudicado com a intenção de Angola de exportar soja e outros produtos. “Estamos a pedir aos brasileiros que se instalem cá, produzam cá, exportem o vosso dinheiro para o Brasil, e as condições que oferecemos são as que temos.”

Por sua vez, a ex-ministra da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, anunciou que a Embrapa estará em Angola em breve para apoiar produtores locais. Ela destacou a importância da assistência técnica e do crédito agrícola subvencionado, além da segurança jurídica para atrair investidores.

“O que pode ser [fator] impeditivo ou não? É justamente a segurança jurídica (…), produtor rural é muito desconfiado em qualquer lugar do mundo”, ressaltou Kátia Abreu.