O grupo bancário cooperativo espanhol Cajamar manifestou interesse numa eventual operação com o Banco CTT, levando os CTT a recorrer ao BNP Paribas para avaliar opções estratégicas para a instituição financeira, avançou a Bloomberg, citando fontes próximas do processo.
Segundo a agência financeira, o interesse recente do BCC-Grupo Cooperativo Cajamar levou a empresa postal portuguesa a analisar diferentes cenários para o Banco CTT, embora não exista um processo formal de venda em curso nem seja claro se as conversações evoluíram. As fontes ouvidas pela Bloomberg ressalvaram que as discussões são privadas.
Em resposta à Bloomberg, os CTT afirmaram que “ocasionalmente trabalham com consultoras e bancos de investimento na avaliação de cenários de desenvolvimento ou oportunidades de negócio”, recusando fazer mais comentários. O Cajamar disse não comentar rumores e o BNP Paribas também não prestou declarações.
De acordo com a Bloomberg, o eventual interesse do Cajamar evidencia o apetite crescente da banca espanhola pelo mercado português, onde as instituições espanholas representam já quase um terço dos ativos bancários. A agência recorda que o Governo português tem manifestado reservas quanto a uma maior concentração do setor nas mãos de bancos espanhóis.
Para o Cajamar, o Banco CTT representaria uma plataforma de expansão em Portugal através de uma rede de mais de 200 balcões instalados em estações de correios, face aos 51 existentes quando a atividade bancária foi lançada há cerca de uma década.
A Bloomberg recorda ainda que, em 2022, os CTT venderam uma participação de 8,7% no Banco CTT à Tranquilidade-Generali Seguros, numa operação que avaliou o banco em cerca de 290 milhões de euros. Em 2024, o então presidente executivo dos CTT, João Bento, afirmou que a empresa estava a considerar todas as opções para o banco, incluindo uma eventual venda.
O Banco CTT é um dos bancos de menor dimensão em Portugal, num mercado dominado pela Caixa Geral de Depósitos, BCP, Banco BPI, Santander Totta e Novobanco, refere a Bloomberg.
Recorde-se que o então CEO dos CTT, João Bento, admitiu em 2024, em entrevista à Bloomberg, vender o Banco CTT na totalidade, referindo que os Correios estão a considerar “todas as possibilidades”.