A Câmara Municipal de Braga aprovou hoje, por maioria, a suspensão das trotinetas partilhadas na cidade, estabelecendo um prazo de 60 dias para que as operadoras removam integralmente os equipamentos do concelho.
A decisão foi tomada durante a reunião do executivo, com a abstenção do movimento Amar e Servir Braga (ASB), que questionou a falta de dados estatísticos suficientes. O presidente da Câmara, João Rodrigues, justificou a medida afirmando que as trotinetas “são mais um problema do que uma vantagem para a cidade” e que “dificultam mais a vida dos bracarenses do que beneficiam”.
Dados da autarquia indicam que, só este ano, já se registaram mais de 40 acidentes com trotinetas e velocípedes, sobretudo envolvendo jovens com menos de 18 anos. O número de trotinetas partilhadas aumentou exponencialmente, passando de 100 há oito anos para quase 600 atualmente. Em termos de viagens, o crescimento foi significativo: 32 mil em 2023, 63 mil em 2024 e 144 mil no último ano.
A proposta aprovada aponta para perturbações à segurança rodoviária e pedonal, degradação ambiental dos espaços públicos e inexistência de regulamentação municipal específica. Após os 60 dias, o município poderá proceder à remoção coerciva, com custos imputados às empresas. O presidente garantiu que a resolução dos contratos não terá qualquer custo para o município.
Os vereadores do Partido Socialista votaram a favor, mas propuseram a criação de um grupo de trabalho para desenvolver um novo regulamento para a circulação dos equipamentos. O vereador do Chega, Filipe Aguiar, considerou que “Braga será uma cidade muito mais segura”, enquanto Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, apoiou a medida face à “admissão, por parte do município, da incapacidade para promover uma utilização em segurança”.