A CCP – Confederação do Comércio e Serviços de Portugal lamenta não ter sido possível chegar a entendimento no Parlamento para aprovar a proposta de reforma laboral, considerando que se perdeu uma oportunidade para melhorar a produtividade do país.
Em comunicado, a Confederação manifestou o seu descontentamento com o resultado da votação na Assembleia da República, que viu a reforma laboral rejeitada com votos contra do Chega ao lado da esquerda parlamentar. A CCP fala num momento “profundamente negativo” e que desaproveita uma oportunidade de “atualização e de evolução da lei laboral”.
“O chumbo da proposta de lei apresentada pelo Governo é uma oportunidade perdida para o país”, afirma o presidente da CCP, Gustavo Paulo Duarte, lembrando as notícias “sobre a produtividade em Portugal ser a quarta mais baixa da União Europeia, e numa altura de instabilidade global com os reflexos que são conhecidos na Economia e com elevado potencial de agravamento”.
É, portanto “um sinal vermelho”, continua, até pelo que simboliza em termos da capacidade de se chegar a consensos no Parlamento, isto já olhando para reformas futuras.
O comunicado fala ainda numa “incapacidade […] frustrantemente indiciadora das dificuldades com que o país se irá confrontar para gerar as respostas necessárias aos vários problemas que a sociedade e as empresas enfrentam e continuarão a enfrentar no futuro”, sublinhando o pouco otimismo quanto ao futuro que a decisão desta sexta-feira acarreta.
O pacote de mais de 50 medidas acabou rejeitado esta sexta-feira pelo voto parlamentar após largos meses de negociações, discussões políticas e duas greves gerais.
Recorde-se que a CCP esteve presente, como de costume, nas reuniões de concertação social que não chegaram a bom porto e precipitaram o envio da proposta para o Parlamento sem a concordância dos sindicatos. Ainda no mandato do anterior presidente, João Vieira Lopes, a Confederação já mostrava as suas reticências quanto à capacidade de se chegar a acordo, desafiando as centrais sindicais a lançarem novas propostas.