É o negócio do ano e avança a passos largos. Na próxima semana, cinco candidatos — entre fundos de private equity e de infraestruturas, e players do setor das águas — vão entregar propostas não vinculativas para a compra da Indaqua, o maior operador privado de concessões municipais de água em Portugal.
Na corrida, segundo apurou o Jornal Económico, estão os fundos KKR (norte-americano) e Brookfield (do Canadá), bem como a italiana Acea SpA — um dos principais grupos multiutilities italianos, com sede em Roma e com especialização na gestão da água, distribuição de eletricidade, produção de energia e serviços ambientais — e a também a espanhola Aqualia, vocacionada para a gestão do ciclo integral da água. A Aqualia já conhece o mercado português, pois, em 2007, venceu o concurso internacional lançado pela autarquia de Campo Maior para a concessão da exploração e gestão dos sistemas de distribuição de água para consumo público e de recolha de efluentes do município.
Há ainda um quinto candidato cujo nome não foi possível apurar.
Segundo fontes ligadas ao processo, a empresa liderada por Pedro Perdigão está a ser avaliada, neste negócio, em termos de Enterprise Value (ou seja, incluindo dívida), em cerca de mil milhões de euros.
O fundo francês Antin Infrastructure Partners colocou a Indaqua à venda no início de 2026, depois de, no final de 2025, ter contratado, como assessores financeiros, a Société Générale e o Citi para receberem as propostas de compra.
A Antin Infrastructure Partners é uma empresa francesa de gestão de fundos de private equity com foco em investimentos em infraestruturas. Controla a Indaqua desde 2020, quando adquiriu a empresa à Bridgepoint (que anteriormente a tinha comprado aos israelitas da Miya/Arison Group).
O negócio é considerado uma das maiores transações de fusões e aquisições (M&A) em Portugal este ano, já que o valor mínimo estimado de mil milhões de euros tem forte probabilidade de superar o valor da venda de 49,9% da TAP.
Esta é mais uma tentativa de venda da Indaqua e ocorre dois anos após a tentativa de 2023, que não chegou a bom porto. Na altura, o fundo britânico Equitix, especializado no setor de infraestruturas, esteve em negociações exclusivas para adquirir a Indaqua à Antin por cerca de 800 milhões de euros. No entanto, a operação falhou após o Equitix não ter conseguido angariar o capital necessário para atingir o montante pedido pelo vendedor. O negócio de 2023 incluía também a Plainwater, empresa que opera no setor de abastecimento e tratamento de águas residuais, detida pela Indaqua.
A empresa liderada por Pedro Perdigão concluiu, em fevereiro de 2025, a aquisição da espanhola Hidrogestión à Cobra IS, uma subsidiária do grupo Vinci — um negócio que ocorreu apenas dois anos após a sua primeira entrada no mercado espanhol de abastecimento de água, com a compra da Fusosa.
Em setembro de 2025, a Indaqua assegurou um financiamento de 358 milhões de euros junto da Schroders Capital e do Santander, destinado a reforçar a sua estrutura de capital e a apoiar o crescimento futuro.
Já em janeiro de 2026, a empresa liderada por Pedro Perdigão reforçou o seu portefólio internacional ao assinar dois contratos de gestão em Angola, avaliados em 10 milhões de euros.
O grupo português Indaqua assinou esses dois contratos de gestão com as Empresas Públicas de Águas e Saneamento (EPAS) das províncias angolanas do Namibe e da Lunda Norte. No âmbito deste projeto, financiado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI), o grupo prevê a deslocação para o terreno de 20 especialistas dedicados à melhoria dos serviços de água e saneamento nas duas províncias, abrangendo uma população superior a 1,5 milhões de habitantes.
Os trabalhos no terreno, a serem desenvolvidos através da subsidiária Vista Water, integram ainda a formação de 12 quadros e têm duração até julho de 2028.