O aumento do consumo de gelados, bebidas frescas e outros produtos típicos do Verão pode criar oportunidades de curto prazo para investidores em empresas de bens de consumo, mas o principal atractivo continua a ser a natureza defensiva de grupos como a Unilever e a Nestlé, segundo uma análise divulgada esta terça-feira pela corretora XTB.

A corretora refere que a sazonalidade do consumo durante os meses mais quentes beneficia marcas como Olá e Lipton, da Unilever, e a divisão de gelados da Nestlé, mas sublinha que o interesse dos investidores está sobretudo na solidez financeira destas multinacionais e na estabilidade dos seus resultados ao longo do tempo.

No caso da Unilever, a XTB destaca que o grupo tem vindo a concentrar-se nas marcas com maior rotação e rentabilidade, após um processo de alienação de activos considerados secundários, estratégia que, segundo a corretora, foi bem recebida pelo mercado. A empresa apresenta receitas e lucros relativamente estáveis, independentemente do ciclo económico, o que a enquadra entre as chamadas acções defensivas.

Relativamente à Nestlé, a análise salienta a diversificação do negócio, que permite compensar a maior procura de gelados no verão com as vendas de chocolates e café durante os meses mais frios. Apesar de as acções terem corrigido cerca de 35% face ao máximo registado em 2022, a corretora considera que o desempenho operacional permanece consistente e que a empresa tende a beneficiar em períodos de maior incerteza nos mercados.

Segundo a XTB, a evolução das duas empresas ao longo da última década demonstra que os investidores tendem a procurar este tipo de títulos em momentos de instabilidade económica, subida das taxas de juro ou tensão geopolítica, devido à previsibilidade dos fluxos de caixa e das políticas de distribuição de dividendos.

A corretora acrescenta que, historicamente, os meses que antecedem e coincidem com o Verão registam maior volatilidade e volume de negociação nas acções destes grupos. Verões marcados por vagas de calor prolongadas podem ainda levar a revisões em alta das perspectivas de facturação no final do terceiro trimestre, funcionando como um potencial catalisador para a cotação.

A análise aborda também o impacto da subida dos preços das matérias-primas, em particular do cacau, sobre as margens das empresas. Para preservar a rentabilidade, tanto a Nestlé como a Unilever recorreram ao aumento dos preços ao consumidor, aproveitando a força das suas marcas, e à redução do tamanho das embalagens sem alterar o preço de venda, prática conhecida como “shrinkflation”.