A história da 3cket começa com um problema muito concreto identificado por quatro amigos que estudavam na Nova Information Management School (Nova IMS): Filipe Brígida, Nuno Coelho, Tiago Marques e Ricardo Pereira. Enquanto organizavam uma conferência universitária, aperceberam-se de que as soluções disponíveis para gestão de eventos eram fragmentadas e não permitiam acompanhar, em tempo real, o que estava a acontecer durante um evento. Os quatro procuravam uma plataforma que não servisse apenas para vender bilhetes, mas que também permitisse recolher dados operacionais, controlar acessos e fornecer informação útil aos organizadores.

O projeto começou assim como um protótipo criado ainda na universidade e acabou por dar origem à 3cket, fundada entre 2017 e 2018 (o desenvolvimento arrancou em 2017 mas a empresa foi formalmente constituída em 2018). A ideia inicial evoluiu de uma simples plataforma de bilhética para uma solução integrada de gestão de eventos.

Tal como a rede social criada por Mark Zuckerberg e os seus colegas de Harvard nasceu para responder às necessidades de uma comunidade universitária antes de se transformar num ecossistema digital global, também a 3cket surgiu no contexto académico para resolver um problema específico e acabou por alargar significativamente o âmbito da sua tecnologia.

O primeiro evento fora da universidade foi uma conferência da Alfa Romeo. Desde então, a tecnologia da empresa passou a estar presente em alguns dos maiores eventos realizados em Portugal, como o Rock in Rio (no palco BacanaPlay Digital Stage), Millennium Estoril Open, o Chefs on Fire, a Web Summit e o NOS Alive (com marcas como a NOS, a Heineken e o Novo Banco). Também marcas como a SIC ou a Delta recorrem à plataforma para digitalizar a sua presença em festivais e outros eventos.

Hoje, a 3cket reúne num único QR Code funcionalidades como a venda de bilhetes digitais, controlo de acessos, pagamentos cashless através de pulseiras ou QR Code, gestão de convidados e análise de dados em tempo real sobre entradas, consumos, stocks e comportamento do público.

Atualmente, a 3cket posiciona-se como uma PME tecnológica sustentável, tendo crescido sempre sem recorrer a investimento externo. O modelo bootstrapped — financiado exclusivamente pelas receitas geradas pela própria empresa e pelos recursos dos fundadores — permitiu privilegiar a rentabilidade em detrimento do crescimento acelerado. Em 2025, a plataforma já tinha sido utilizada em mais de 15 mil eventos, por mais de 2.000 organizadores, tendo emitido milhões de bilhetes digitais e processado milhões de transações cashless. No mesmo ano, a faturação cresceu cerca de 40%, para dois milhões de euros. Para 2026, a empresa estima atingir os 2,5 milhões de euros de receitas e ambiciona chegar aos 3,5 milhões até 2029.

Com uma equipa de 20 pessoas, a empresa continua a privilegiar um crescimento sustentado, sendo a maioria dos novos clientes conquistada por recomendação ou após terem contactado com a tecnologia em eventos anteriores.

A internacionalização é agora o próximo passo. A presença em grandes eventos e a natureza integrada da plataforma têm despertado interesse além-fronteiras, reforçando a ambição da empresa de levar a tecnologia desenvolvida em Portugal para novos mercados.

A ambição para os próximos cinco anos é clara: “Em Portugal, é liderar o mercado da venda de bilhetes — hoje há players mais tradicionais e mais antigos, alguns com 20 anos de mercado, mas do ponto de vista tecnológico já somos, hoje, os melhores e os únicos com esta amplitude de soluções.”