Os Estados Unidos e o Irão convergiram num acordo que estende o cessar-fogo por 60 dias, com uma cerimónia formal de assinatura prevista para a próxima sexta-feira (na Suíça) e negociações nucleares a seguir. O acordo pode reabrir o Estreito de Ormuz, aliviar a pressão sobre os mercados globais de energia e criar uma janela de oportunidade para negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O memorando de entendimento representaria o maior avanço diplomático da guerra e ganharia tempo para negociações sobre questões nucleares ainda não resolvidas. O documento esteve quase a ser assinado este domingo, mas os ataques de Israel ao Líbano, que não pararam um segundo, deitaram a perder os esforços norte-americanos e iranianos, deixando claro que os planos israelitas são muito diversos da paz.
O acordo visa restabelecer a navegação pelo Estreito de Ormuz, que antes da guerra movimentava cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo. No entanto, questões nucleares cruciais precisam de ser negociadas nos próximos dois meses, com um desfecho ainda imprevisível. Os mais céticos dizem que, quando muito, o acordo a fechar será muito semelhante ao conseguido em 2015 pelo então presidente Barack Obama – e do qual Donald Trump se desvinculou em 2018, cedendo a forte pressão nesse sentido exercida por Telavive.
Segundo a imprensa norte-americana, a reabertura completa do estreito pode não acontecer imediatamente. A remoção de minas, a reparação das infraestruturas afetadas pelos combates e as garantias da segurança podem levar tempo antes que os volumes de navegação retornem totalmente aos níveis pré-guerra. Alguns analistas dizem que a passagem internacional é a mais fácil de reabrir, dado que a menagem das águas terá sucedido em locais mais próximos da costa iraniana.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou o acordo-quadro para reabrir o estreito e iniciar as negociações nucleares este domingo. Pouco depois, o presidente Trump afirmou que os Estados Unidos iriam suspender o bloqueio naval, enquanto se esperava que o Irão reabrisse o estreito.
Trump afirmou nas redes sociais que a abertura do estreito só ocorreria “após a assinatura do acordo na sexta-feira, para fins de remoção de minas”. Do seu lado, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão declarou que “a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, terminarão imediata e permanentemente a partir desta noite”. Em comunicado, o Conselho dizia que “as negociações para um acordo final só ocorrerão depois de a contraparte cumprir os seus compromissos no âmbito do memorando de entendimento.”
Os negociadores norte-americanos, juntamente com mediadores do Qatar e do Paquistão, esforçaram-se para evitar um ataque iraniano contra Israel, que provavelmente teria gerado uma resposta israelita e inviabilizado o acordo, mas as autoridades de Teerão acabaram recuando – dando mostras de que apenas Israel está interessado em continuar a guerra.