O projeto de hidrogénio verde nos terrenos da antiga central a carvão de Sines recebeu aprovação por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Mas os acionistas do GreenH2Atlantic ainda têm de dar a aprovação final para o projeto avançar, exigindo regras claras para a criação de um mercado de hidrogénio verde.

“A concretização do projeto estará sempre condicionada a uma decisão final de investimento a ser tomada pela Hytlantic, e que, entre outros aspetos, contemplará a verificação de um enquadramento regulatório que seja favorável à criação de um mercado de hidrogénio verde”, disse o consórcio na segunda-feira.

A unidade tem um custo estimado de 150 milhões de euros e prevê a instalação de um eletrolisador com 100 megawatts (MW) para produzir até 1,7 toneladas por hora de hidrogénio.

O estudo de impacte ambiental detalha que a refinaria da Galp vai consumir 30% do hidrogénio produzido com os restantes 70% a serem injetados no gasoduto da rede de transporte de gás da REN.

A Hytlantic é liderada pela EDP e pela Galp, contando também como acionistas com a Bondalti, a Martifer e a Vestas Wind Systems A/S. E também conta com os parceiros tecnológicos e científicos como: ISQ, a SIEMENS, o INESC-TEC, o HyLab, a DLR (Alemanha), o CEA (França) e a Axelera (cluster público-privado).

O projeto anunciou que recebeu na segunda-feira a autorização da APA que contempla uma série de recomendações.

“A Hytlantic irá agora analisar as recomendações e medidas propostas, e a sua integração nos projetos de engenharia. Cumprido este importante passo, irão prosseguir com atividades de engenharia e outros estudos que permitam confirmar a viabilidade económica do projeto e, posteriormente, submeter a etapa final de licenciamento ambiental, o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE)”, segundo a nota.

“Este é mais um projeto que reforça a posição de Sines como referência para a produção de hidrogénio verde no panorama europeu, podendo, no futuro, assumir-se como um polo de atração para indústrias para as quais o acesso a hidrogénio verde a preços competitivos constitua um fator de produção crítico”, de acordo com o consórcio.

O projeto já recebeu mais de 90 milhões de euros de fundos europeus via os programas Horizon 2020 Research and Innovation e Innovation Fund, da União Europeia.

Numa fase posterior, o promotor tem de apresentar o RECAPE que deve incluir o progresso em várias frentes, incluindo a “demonstração do cumprimento, pelo projeto de execução, dos termos e condições da presente decisão”; “descrição da localização, características e avaliação de impactes dos aero-refrigeradores caso, na fase de projeto de execução, esta seja a alternativa adotada para o arrefecimento”; “parecer favorável da REN relativo à não necessidade de manter a área de servidão em torno dos pórticos da antiga CTS. Uma eventual manutenção da área de servidão em causa implicará proceder ao ajuste do layout do projeto GH2A”; o “plano de Acompanhamento Ambiental da Obra (PAAO) adaptado ao projeto de execução a desenvolver”.

Entre os objetivos do projeto está a “redução de emissões de gases de efeito de estufa, em linha com as estratégias europeia e nacional de descarbonização, em cerca de 97,2 kt/ano de emissões de CO2 (76,5 kt/ano de emissões diretas e 21,2 kt/ano CO2eq de Emissões de Âmbito 3)”; o “contributo para o cumprimento das metas estabelecidas na Estratégia Europeia de Longo Prazo para 2050 e na Estratégia Nacional para o Hidrogénio, com a produção média de cerca de 11,3 kt/ano de hidrogénio a partir de energia renovável, com origem solar e eólica, atendendo aos requisitos da Diretiva Europeia de energias renováveis. Substituirá cerca de 3,5 kt/ano de H2 cinzento, produzido na Refinaria de Sines usando gás natural, e cerca de 260 GWh de gás natural na rede de gás natural”.

Na Declaração de Impacte Ambiental (DIA), a APA defende que o “abastecimento de água aos processos de eletrólise e de refrigeração deve ser assegurado exclusivamente a partir de Água para Reutilização (ApR) ou de água do mar, não devendo ser cedida água superficial e/ou subterrânea destinada ao consumo humano para a produção de hidrogénio”.

“Não obstante, e apenas na eventualidade de não terem sido concluídas atempadamente as intervenções necessárias nas infraestruturas da responsabilidade da AdSA, em tempo útil face ao cronograma de execução do projeto GH2A, pode ser feito o abastecimento de água apenas ao processo de eletrólise, a título transitório, com recurso a água superficial captada no Rio Sado e armazenada em Morgavel. O restante volume destinado a refrigeração deve ter origem em água do mar e/ou ApR”, pode-se ler.