Os bancos portugueses aplicaram critérios de concessão de crédito ligeiramente mais restritivos a pequenas e médias empresas (PME) e a empréstimos à habitação no segundo trimestre de 2026, segundo o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito divulgado esta terça-feira pelo Banco de Portugal.

De acordo com o inquérito, cujo questionário foi enviado às instituições financeiras a 15 de junho e cujas respostas foram recolhidas até 29 de junho, os critérios tornaram-se mais apertados para as PME e para os empréstimos de longo prazo às empresas, bem como para o crédito à habitação. Já no crédito ao consumo e outros fins, os critérios mantiveram-se inalterados.

Segundo o banco central, o aperto nas empresas refletiu sobretudo a perceção de riscos associados à situação e às perspetivas de setores ou empresas específicas, enquanto a concorrência entre instituições bancárias contribuiu em sentido contrário, para critérios menos restritivos.

No segmento da habitação, o aperto foi justificado pelas perspetivas económicas gerais e pela evolução esperada dos preços no mercado imobiliário.

Apesar do maior aperto nos critérios, os bancos reduziram ligeiramente as taxas de juro e os spreads praticados, tanto no crédito a empresas como no crédito à habitação, um movimento que o Banco de Portugal atribui à pressão concorrencial entre instituições. O crédito ao consumo não registou alterações nas condições praticadas.

Segundo o banco central, a proporção de pedidos de empréstimo rejeitados manteve-se estável no segmento empresarial, mas aumentou ligeiramente no crédito à habitação.

Do lado da procura, o inquérito aponta para uma ligeira diminuição da procura de crédito por empréstimos de longo prazo por parte das empresas, sem impacto no agregado, e para uma redução também ligeira da procura de crédito à habitação, associada às perspetivas do mercado imobiliário e ao nível das taxas de juro. A procura de crédito ao consumo não sofreu alterações.