A sessão de terça-feira foi amena nos mercados, dominados pela calma sentida no conflito do Médio Oriente. O preço do petróleo continuou a descer, com o Brent a chegar aos 81 dólares.

Esta terça-feira foi positiva para grande parte dos mercados, com apenas o Nasdaq a registar ligeiras perdas, com os investidores a aterem cautela com os investimentos na área da inteligência artificial (IA).

Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, explica que a descida do Nasdaq deve-se à pressão sobre as ações ligadas à IA, num movimento que ganhou força “a notícia de que uma empresa chinesa apoiada pelo Estado começou a produzir internamente máquinas de litografia DUV por imersão, equipamento essencial para o fabrico de chips. Embora a produção inicial seja limitada e a tecnologia ainda esteja atrás da ASML, a notícia reforçou os receios de que a China esteja a avançar na substituição de fornecedores ocidentais”.

“A ansiedade foi agravada pela forte estreia em bolsa da fabricante chinesa de memórias CXMT, que chamou a atenção para o crescimento da concorrência no setor. Num contexto de valorizações elevadas e dúvidas crescentes sobre a rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial, os investidores voltaram a reduzir a exposição às empresas que mais beneficiaram deste tema”, aponta.

A pausa dos ataques no Médio Oriente continua a fazer com que o preço do barril de petróleo registe descidas, com o Brent a chegar aos 81 dólares. Apesar de existir uma possibilidade de aproximação entre os Estados Unidos e o Irão, a indústria continua cautelosa, e o tráfego no Estrito de Ormuz ainda não foi normalizado.

Esta quarta-feira os analistas estão de olhos postos na reunião da Reserva Federal (Fed), que vai tomar uma decisão sobre as taxas de juro. Jenny Zeng, diretora de investimento (CIO) global em obrigações, Allianz Global Investors (AllianzGI) refere que é esperado que as taxas de mantenham inalteradas em julho, contudo a postura da Fed deve manter-se restritiva (hawkish) quanto à inflação.

“Os últimos dados vieram dar alguma margem de manobra à Fed, sem alterar de forma significativa as perspetivas de política monetária. Os preços no consumidor abrandaram em junho, enquanto a melhoria do mercado laboral perdeu parte do seu impulso. Assim, esperamos que o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) mantenha a meta para os fundos federais inalterada entre 3,50-3,75% na reunião de 28 e 29 de julho”, afirma.

“Após a mudança para uma postura mais restritiva em junho, não esperamos que o presidente Warsh ofereça orientações sobre o próximo passo. Em vez disso, deverá enfatizar a maior vigilância do Comité após mais de cinco anos de inflação acima do objetivo, preservando, em simultâneo, a máxima flexibilidade antes da reunião de setembro”, indica.